Maggi admite apagão logístico no Brasil

Governador do Mato Grosso prevê estabilidade na área plantada do Estado nos próximos 10 anos por conta de falta de infra-estrutura de escoamento

Alexandre Inacio e Luciana Xavier,

16 de outubro de 2007 | 15h21

O governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, admitiu hoje que o Brasil passa por um "apagão logístico". Ele lembrou que os problemas de infra-estrutura são hoje o principal entrave ao desenvolvimento, principalmente dos Estados do Centro-Oeste, por estarem mais afastados dos portos. "Temos o frete mais caro do mundo e isso penaliza o agricultor. Os produtores já decidiram o que vão fazer: eles não vão ampliar as áreas de plantio", disse Maggi. Ouça entrevista com Blairo Maggi     O governador do Mato Grosso disse que mesmo com a recuperação dos preços internacionais das commodities, ele não enxerga espaço para crescimento da área plantada no Estado. Os problemas logísticos, a dificuldade em acessar linhas de crédito e o elevado grau de endividamento dos produtores deve fazer com que a área plantada no Estado fique estável nos próximos cinco a dez anos. "A produção de soja na safra 2007/08 deverá se aproximar dos patamares da safra 2004/05, quando colhemos cerca de 18 milhões de toneladas", disse Maggi. Na questão ambiental, Maggi destacou a necessidade de criação de instrumentos mais eficazes no combate ao desmatamento da Amazônia. Ele sugeriu, por exemplo, o pagamento de um "prêmio" para aquele que preservarem suas áreas. "Nós apoiamos a moratória da soja para não desmatar novas áreas. O problema é que as vezes as coisas fogem ao controle do Estado", disse o governador. Ele disse ainda que o aumento do desmatamento no Estado identificado pelo governo federal está acontecendo em áreas onde houve uma redução em anos anteriores. Sobre sua visita a países europeus nessa semana, Maggi ressaltou a importância comercial da Rússia para o Brasil e para o Mato Grosso e confirmou para este ano a vinda de uma missão russa ao País. "A Rússia é um parceiro interessante, pois as perspectivas da população e da economia são bastante positivas", disse. Ele lembrou, no entanto, que existe na Europa um movimento para que seja fechado o mercado para carne bovina brasileira. "Nós precisamos vender e a Europa precisa comprar, mas alguns países se esforçam para impedir essa relação", afirmou Maggi, mencionando a campanha da Irlanda contra a carne do Brasil como exemplo. Sobre as críticas que algumas lideranças do agronegócio têm feito sobre o governo federal, Maggi disse que não tem nada a reclamar do governo, já que ele tem atuado nos momentos necessários. Sobre os transgênicos, ele lamentou a demora nas liberações de algodão, que reduzem a competitividade dos Estados produtores, mas lembrou que no caso da soja as coisas estão caminhando. No aspecto político, Maggi disse que pretende voltar aos seus negócios particulares após terminar seu mandato no governo do Mato Grosso. "Ainda é definir os rumos. Se eu ficar na política, não volto mais para o setor privado e se eu voltar ao setor privado, abandono a política de vez", disse o governador, ao admitir que sua vontade é retomar os negócios.

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