Magnesita busca crescimento nos Estados Unidos e Europa

Além de investir para aumentar a produção de matérias-primas, fabricante de refratários está ampliando a capacidade para ganhar mercado no exterior

Fernanda Guimarães, da Agência Estado,

29 de setembro de 2011 | 19h52

Mesmo que a crise econômica mundial ainda não dê sinais concretos de que esteja próxima do fim, a fabricante de refratários Magnesita está se preparando para ser grande também no exterior. Além de investir pesado para aumentar o volume de produção de matérias-primas, a companhia está ampliando a capacidade para ganhar market share nos Estados Unidos e Europa.

No Estado norte-americano da Pensilvânia, a empresa pretende aumentar a capacidade em 28 mil toneladas de tijolos refratários básicos, com duas novas prensas. O segundo investimento é em uma prensa na unidade de Oberhausen, na Alemanha, para expandir a capacidade em 15 mil toneladas. A explicação de Ronaldo Iabrudi, presidente da Magnesita, sobre a escolha do destino dos aportes é simples. Nessas regiões o retorno do investimento é melhor do que no Brasil.

Uma das razões é o tamanho do principal mercado para a companhia: a siderurgia. "Na Europa temos uma participação de 8% em um mercado de 200 milhões de toneladas de aço. Então, se crescermos dois ou três pontos porcentuais é uma expansão enorme", afirmou Iabrudi em entrevista exclusiva à Agência Estado. Outros fatores que entraram na conta da área financeira da companhia foram juros e impostos no Brasil.

O crescimento fora do território nacional está sendo possível após a aquisição, em 2008, da alemã LWB. Segundo o executivo, a empresa sempre foi muito focada no Brasil, com 90% da sua receita gerada no País, mas após a aquisição da companhia alemã, passou a registrar fontes importantes de receita também nos Estados Unidos e Europa.

A principal vantagem competitiva da companhia, vista com orgulho pelo executivo, é um variado portfólio de reservas minerais, o que significa um grande diferencial em um momento de preços elevados dos insumos. De olho nessa oportunidade, a Magnesita está investindo R$ 80 milhões em Almenara, no Vale do Jequitinhonha (MG) para uma capacidade de 40 mil toneladas de grafita, cuja operação terá início no fim de 2012. "Temos um custo de produção muito bom e quando vendemos a matéria-prima temos uma margem muito boa. Quem não tem matéria-prima nesse mercado vai ter dificuldade grande de competir", disse.

O índice de verticalização da companhia crescerá quando os investimentos em Brumado (BA) e em Almenara forem finalizados. Com isso, alcançará 85% de verticalização. O executivo lembra que a dependência da bauxita da China ainda continuará. A empresa não mira aquisição na área de bauxita, porém não descarta uma joint venture ou um contrato de longo prazo.

Além de ter matéria-prima para consumo próprio, o que impulsiona a rentabilidade da empresa, a Magnesita também quer aproveitar os preços elevados dos insumos para vendê-los. Para o investimento em grafita em Almenara, que terá capacidade de 40 mil toneladas por ano, cerca de 15 mil atenderá o consumo próprio e o restante será vendido. "Com isso não estamos só assegurando uma estabilização da matéria-prima, mas também estaremos aumentando a rentabilidade da companhia, porque estamos entrando em um negócio com uma margem melhor", explicou.

Outra estratégia será com a magnesita de menor pureza, a chamada M-10. A companhia está atenta ao sistema de cotas de exportação da China, a grande produtora mundial desse produto, o que provocará a diminuição da oferta do M-10 mundialmente. A ideia é buscar um parceiro estratégico no mundo, ou fazer um investimento próprio e vender no mercado internacional. "Somos um candidato forte para suprir esse crescimento do mercado, inclusive, se for o caso, vendendo para concorrentes", destacou.

Para o presidente da Magnesita, o momento é favorável aos negócios, mesmo com a crise que está afetando o mundo inteiro. Nesse contexto, a preocupação com a concorrente que se instalará em território brasileiro, a RHI, é pequena. Segundo ele, a RHI chega sem matéria-prima e com um mercado incipiente. Além disso, o executivo entende que será difícil fechar a conta considerando um projeto greenfield, as exigências ambientais brasileiras, a ausência de matéria-prima e o mercado pequeno.

 
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