Maior competição no setor de cartões derruba taxas

O mercado de cartões de crédito começa a sentir os efeitos das medidas para ampliar a competição, implementadas há dois meses. As taxas cobradas dos lojistas pelas credenciadoras já caíram cerca de 0,7 ponto porcentual e novos competidores, como o Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul), resolveram entrar no mercado, o que deve acirrar a concorrência - o Santander já está atuando no setor com a GetNet.

ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, Agencia Estado

23 de setembro de 2010 | 09h29

Dados preliminares da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) indicam que a taxa média cobrada dos lojistas por transação com cartões de crédito caiu da casa dos 3,2% para 2,5%. A queda ocorre por conta das negociações entre as credenciadoras e os comerciantes, sobretudo os de médio e pequeno porte, segundo o diretor da CNDL, Roberto Alfeo.

Desde o dia 1º de julho, os terminais da Cielo, que antes eram exclusivos da Visa, leem cartões da Mastercard e da American Express. Os da Redecard passaram a capturar transações para a Visa. Mas, até agora, os comerciantes têm preferido ficar com os dois terminais, das duas principais credenciadoras. Não há dados oficiais sobre essa movimentação.

Segundo o diretor da CNDL, muitos comerciantes, especialmente os de pequeno porte, não sabem que podem ficar só com um terminal. Os especialistas das empresas de cartões dizem que boa parte dos comerciantes vai ficar com os terminais das duas credenciadoras por conta de eventuais problemas tecnológicos. Assim, se a rede de uma cair, como ocorreu no Dia das Mães, por exemplo, as transações migram para a outra rede.

Outros comerciantes preferem manter as duas máquinas por conta da aceitação dos cartões. A Cielo ainda não aceita todos os vales-refeição e alimentação. Só começou a aceitar os cartões da Ticket, por exemplo, no mês passado - e ainda não aceita outros vales de benefícios, como o VR. A Redecard ainda não aceita o Visa Vale.

Mas os comerciantes estão sentido maior competição entre as duas credenciadoras. Tanto a Cielo como a Redecard, que dominam 90% do mercado, têm feito ações com lojistas para tentar mantê-los em sua rede de clientes. A Redecard, por exemplo, dá cupons que sorteiam prêmios ao proprietário do estabelecimento toda vez que um determinado volume de transações passar por seus terminais. Além disso, o preço do aluguel do POS - o terminal que faz a leitura dos cartões - tende a cair. O Santander não tem cobrado esse valor, que varia de R$ 80 a 200.

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