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Maior oferta de ações da história pode pôr até R$ 50 bi no caixa da Petrobrás

Volume total da megacapitalização, incluindo aporte do governo feito com barris de petróleo, pode alcançar R$ 120 bilhões

Leandro Modé, de O Estado de S. Paulo,

23 de setembro de 2010 | 22h30

A megacapitalização da Petrobrás terminou quinta-feira, 23, e foi marcada por forte alta das ações da empresa, o que, segundo fontes de mercado, indica que a operação foi bem sucedida. O Conselho de Administração da companhia se reuniria na quinta à noite para definir o preço dos papéis no processo. É a partir do preço que será conhecido o valor total do negócio, que, segundo projeções, deve variar entre R$ 110 bilhões e R$ 120 bilhões.

Na manhã de sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participará de uma cerimônia na sede da BM&FBovespa com objetivo de celebrar a operação, a maior do mundo do gênero. Quinta-feira, em Maringá, ele estimou que a capitalização alcançará US$ 70 bilhões (R$ 120,4 bilhões).

O Estado apurou que a demanda pelas ações superou em cerca de duas vezes a oferta. É um desempenho considerado positivo, levando-se em conta o tamanho da operação. No entanto, os fundos soberanos, principalmente da Ásia, tiveram interesse menor do que o estimado anteriormente. Essa ‘fraqueza’ teria sido compensada pelo apetite voraz dos investidores de varejo e do próprio governo.

A expectativa no mercado era de que o Conselho de Administração da estatal concedesse um desconto no preço da ação tomando como referência os valores do fechamento de quinta-feira. Os papéis preferenciais (PN) subiram 4,12%, para R$ 27,05. Os ordinários (ON) avançaram 2,76%, cotados por R$ 30,50.

Um especialista explicou que, em uma operação ‘normal’, quando a oferta supera a demanda, a empresa não dá desconto. No caso da Petrobrás, no entanto, esperava-se o desconto para aumentar a chance de uma valorização do papel na sexta, quando Lula estiver na Bovespa.

Calcula-se que o governo usou todos os recursos da chamada cessão onerosa (composta por 5 bilhões de barris de petróleo do pré-sal), o equivalente a pouco mais de US$ 42,5 bilhões (entre R$ 73 bilhões e R$ 74 bilhões). Se os números das estimativas se confirmarem, o dinheiro ‘de fato’ (do mercado) que entrará no caixa da estatal será de aproximadamente US$ 29 bilhões (R$ 50 bilhões).

É um valor acima da maioria das projeções feitas por instituições financeiras antes do início do processo. Um analista explica que, do ponto de vista do governo e da empresa, é uma notícia positiva. Mas, para os acionistas que não subscreveram os papéis na operação, é ruim, porque eles terão um pedaço menor da companhia e, consequentemente, receberão menos dividendos daqui para a frente.

Gol de mão

Outra certeza que se tira da operação é o aumento da parcela do governo na Petrobrás. Antes da operação, União, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Caixa Econômica Federal detinham 39,8% das ações da empresa. Agora, essa fatia deve subir para cerca de 45%.

Segundo informações de mercado, o governo teve de apelar para um ‘gol de mão’ aos 45 minutos do segundo tempo. Como tinha a intenção de elevar a participação no capital da empresa, ordenou que fundos de pensão de estatais entrassem com força na operação entre a noite de quarta e quinta-feira. Até então, a União ainda não havia conseguido aportar todos os recursos da cessão onerosa porque enfrentava limitações legais do processo.

A verificação de que a demanda superou a quantidade inicialmente oferecida aos investidores fará com que todos os lotes da operação sejam exercidos, segundo apurou a Agência Estado. Até quarta-feira, apesar da boa procura pelos papéis, ainda havia dúvidas sobre a possibilidade de colocação total da oferta.

Fontes de mercado não descartam que a empresa volte a aumentar o total de ações previsto na operação, a exemplo do que fez na última sexta-feira, quando surpreendeu ao dobrar a quantidade de papéis do lote adicional. / COLABOROU SÍLVIA ARAÚJO

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