Tasso Marcelo|Estadão
Tasso Marcelo|Estadão

Maioria dos acionistas da Estácio apoia venda da empresa à Kroton

Estácio é alvo de disputa entre concorrentes; maior acionista se opõe à venda e avalia fazer oferta a minoritários

Reuters

27 Junho 2016 | 22h39

Acionistas que representam 52% do capital da Estácio Participações apoiam a venda da empresa privada de ensino superior para a rival Kroton, disse uma fonte a par dos planos da Kroton, que cogita fazer oferta hostil, se necessário. Nesta segunda-feira, 27, a família Zaher, dona de cerca de 14% da Estácio e que se opõe à venda para a Kroton, disse que avalia lançar oferta pública de aquisição (OPA) para assumir o controle da companhia sediada no Rio.

A fonte, que falou sob condição de anonimato, disse que a proposta da empresa de trocar 1,25 ação de sua emissão para cada papel da Estácio pode ser levada diretamente aos acionistas, o que configuraria oferta hostil sem necessidade de consentimento do Conselho de Administração da empresa alvo.

Segundo a fonte, um dos investidores estrangeiros que detém posição nas duas companhias enviou carta ao conselho da Estácio dizendo que está disposto a convocar assembleia caso o comitê não se posicione ou seja contrário à operação com a Kroton. Esta assembleia incluiria um pedido de substituição do conselho.

O conselho da Estácio vai se reunir na quinta-feira para discutir as propostas de compra, segundo outra fonte. Os próximos passos da Kroton vão depender desta resposta, sendo que a empresa também considera a chance de deixar o negócio.

“A Kroton ainda acredita numa relação negociada, mas com muita pressão de acionistas que são a favor da oferta”, disse. A segunda opção mais provável seria a oferta hostil, já que há poucos motivos que a levariam a deixar o negócio, afirmou.

A Kroton ainda não tem indicação da posição do conselho da Estácio. “Ainda não dá para saber o que vai acontecer. A bola está do lado deles”, disse a fonte, citando o grupo formado para avaliar as propostas pela Estácio, que conta com o presidente do conselho, João Cox, o vice-presidente Maurício Luchetti e o conselheiro independente Libano Barroso.

Além da eventual oferta dos Zaher e da proposta já oficial da Kroton, a Ser Educacional apresentou oferta de associação à Estácio. Procurada, a Kroton disse que não iria se manifestar.

A intenção anunciada pela família Zaher é vista pela Kroton como tentativa de pressionar para melhora nos termos da oferta. Também é vista como oferta hostil, pois não foi solicitada e iria direto para leilão em bolsa.

Antes de realizar o leilão da OPA é necessário retirar a cláusula de poison pill, com aprovação em assembleia. “São os acionistas da Estácio que querem fazer o negócio com a Kroton. A troco de que eles iriam se mobilizar para um negócio que não querem fazer? Só se eles forem convencidos um a um”, disse.

A fonte também disse que para fazer a OPA, a família Zaher teria de assumir dívida maior que seu patrimônio e que não é factível captar um montante elevado com o mercado estagnado.

A Estácio informou, em fato relevante, que a família Zaher, está considerando a possibilidade de lançar uma oferta pública para aquisição do controle da empresa, “face às propostas de combinação de negócios feitas à Estácio por Kroton Educacional e Ser Educacional”.

No documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Estácio diz que essa oferta, se lançada, seria por, no mínimo, 36% do capital social da companhia do setor educacional.

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