Maioria dos bancos centrais deveria elevar as taxas de juros, diz OCDE

Em um relatório semestral, a OCDE elevou sua previsão de inflação nos 34 países membros para 2,3% em 2011 e 1,7% em 2012

Danielle Chaves, da Agência Estado,

25 de maio de 2011 | 11h32

Os bancos centrais de todo o mundo deveriam começar ou continuar elevando as taxas de juros tendo em vista que a recuperação econômica está se solidificando e a inflação está se acelerando, afirmou a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em um relatório semestral, a OCDE elevou sua previsão de inflação nos 34 países membros para 2,3% em 2011 e 1,7% em 2012, de 1,5% e 1,4% previstos em novembro, respectivamente.

Segundo a OCDE, embora a recuperação esteja se tornando mais autossustentável, ela pode ser dificultada pelo aumento dos preços das commodities e pela piora no estado das finanças públicas nos EUA e no Japão, bem como em partes da zona do euro. Isso levaria a um período de estagflação, que é um crescimento baixo junto com uma inflação alta.

"O aumento nas expectativas inflacionárias de longo prazo (...) sugere que parte da alta recente na inflação principal deve agora persistir por mais tempo do que o pensado anteriormente", disse a OCDE.

A OCDE pediu que o Federal Reserve, banco central dos EUA, eleve a taxa básica de juros para entre 1,0% e 1,25% até o fim do ano e para 2,25% até o fim de 2012. A instituição também pediu que o Banco da Inglaterra (BOE) eleve os juros para 1,0% até o fim do ano e 2,25% até o fim de 2012.

Sobre os bancos centrais de economias desenvolvidas que já começaram a apertar a política monetária - como Canadá, Suécia e Noruega -, a OCDE disse que "o ritmo dos aumentos na política deveriam, no geral, ser mais rápidos do que o pensado anteriormente".

Em países em desenvolvimento como Brasil, China e Índia, as taxas básicas de juros também deveriam ser elevadas ainda mais, sustentadas pela valorização do câmbio.

A OCDE saudou a decisão do Banco Central Europeu (BCE) de elevar os juros para 1,25% em abril e disse que o BCE já fez o suficiente para este ano, embora mais aumentos para 2,25% em 2012 sejam necessários. O Banco do Japão (BOJ), no entanto, não deveria elevar a taxa básica "até que a inflação esteja firmemente positiva".

A previsão da OCDE para o crescimento combinado da produção de seus 34 membros ficou inalterada em relação ao relatório de novembro em 2,3% neste ano e 2,8% em 2012.

A OCDE listou vários potenciais obstáculos para a recuperação, incluindo mais aumentos nos preços do petróleo e outras commodities, uma desaceleração mais profunda do que a prevista na China, renovada fraqueza nos mercados imobiliários e a "situação fiscal incerta" nos EUA e no Japão. As informações são da Dow Jones. 

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