Mais de 40% da população acha que pobreza diminuiu nos últimos 5 anos

Segundo estudo do Ipea, maior parte dos brasileiros acredita que a promoção de cursos profissionalizantes rápidos seria a maneira mais eficaz de o governo acabar com a pobreza no País

Gustavo Uribe, da Agência Estado,

21 de dezembro de 2011 | 15h48

SÃO PAULO - O desemprego e a falta de qualidade do ensino são as principais causas da pobreza no Brasil, que apresentou recuo nos últimos cinco anos. A conclusão faz parte da mais recente rodada do Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS), pesquisa que, promovida em agosto pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), revela a avaliação da população brasileira sobre os bens e serviços públicos.

O levantamento, promovido com 3.796 pessoas de 212 municípios, aponta que a percepção de 41,4% da população é de que a pobreza diminuiu nos últimos cinco anos, enquanto para 29,7% houve um aumento da pobreza no período e para 28,1% não houve mudanças. A avaliação de que a pobreza diminuiu, segundo a pesquisa, é maior no Nordeste (48,5%) e no Norte (46,5%) e menor no Sul (36,1%) e no Sudeste (37%).

O levantamento mostra que para 29,4% da população o desemprego é a principal causa da pobreza, seguido pela falta de qualidade do ensino e a dificuldade de acesso à educação, apontado por 18,4%. A corrupção e a desigualdade social também foram citados como causas da pobreza por 16,8% e 12% dos que participaram da pesquisa, respectivamente. De acordo com o levantamento, a população acredita que é preciso uma renda familiar mensal de R$ 2.090 para não ser considerado pobre, ou seja, uma renda per capita em torno de R$ 523 numa família de quatro pessoas, valor próximo ao atual salário mínimo, de R$ 545. A avaliação da população brasileira, segundo a pesquisa, é de que as principais formas de reduzir a pobreza são por meio da criação de vagas de emprego (31,4%) e a melhora da qualidade do ensino (23,3%).

O Ipea questionou ainda quais poderiam ser as principais políticas implementadas pelo governo federal para acabar com a pobreza no Brasil. A percepção de 18,7% da população é de que deveriam ser promovidos cursos profissionalizantes rápidos, enquanto para 18,6% seria necessário aumentar o valor do salário mínimo.

A avaliação de 12% aponta a necessidade de oferta de bolsas para estudantes e de 11,5% mostra a exigência de maior estímulo para que as empresas contratem pessoas cuja faixa de renda é menor. O levantamento mostra também que, na avaliação da população brasileira, a violência e a insegurança (23%), as dificuldades no acesso ao sistema de saúde (22,3%), a corrupção (13,7%) e o desemprego (12,4%) são os principais problemas recentes do País.

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