Mais proteína de boa qualidade para o pequeno produtor

Um dos sérios problemas enfrentados pelos países não desenvolvidos é a subnutrição. Este problema é agravado por alguns fatores tais como: alta taxa de crescimento populacional, má distribuição de renda, escassez de áreas e água disponíveis para agricultura, erosão, secas e outros desastres naturais, conflitos, baixa escolaridade, doenças, precários sistemas de transporte e distribuição de alimentos etc. O desenvolvimento de alimentos mais nutritivos, que sejam também baratos e fáceis de serem produzidos, processados e consumidos se constitui em uma das contribuições que a pesquisa agropecuária tem a oferecer para a diminuição desse problema. Preocupada com a qualidade de vida da sociedade roraimense, a Embrapa está desenvolvendo variedades de milho que visam suprir a desnutrição. O milho é um alimento tradicional, altamente energético, produzido e consumido em todas as regiões brasileiras. Em 2003 a produção de milho no Brasil foi de 47,41 milhões de toneladas, com uma produção de proteína, considerando um teor de proteína no grão de 8%, em torno de 3,79 milhões de toneladas. Entretanto, essas proteínas são de baixo valor biológico, por apresentarem baixos teores de dois aminoácidos essenciais: a lisina e o triptofano.Por tudo isso e, também devido à sua amplitude e facilidade de produção e consumo, o milho se apresenta como uma das culturas a serem consideradas para o desenvolvimento de cultivares com maior valor nutricional. Descoberto em 1963, o mutante opaco 2, embora apresentasse teores de lisina 50% mais elevados, em relação ao milho normal, não teve boa aceitação pelos agricultores.Alguns fatores que contribuíram para a não aceitação desse mutante foram o fato de apresentarem menor produtividade, grãos opacos com textura farinácea, menor densidade e secagem mais lenta e maior susceptibilidade às pragas dos grãos, doenças e danos mecânicos. Combinando o genótipo o2o2 (opaco 2), para conferir alta qualidade protéica, e modificadores genéticos, para melhorar as qualidades físicas e a aparência do grão, foram desenvolvidos os materiais denominados QPM, em programas de melhoramento conduzidos pelo CIMMYT, México, e Universidade de Natal, África do Sul.Comparados à caseína (proteína do leite), os milhos QPM apresentam valor biológico relativo de aproximadamente 85%, enquanto este valor é de 65% para o milho normal. A Embrapa Milho e Sorgo já disponibilizou no mercado de sementes de milho diversas cultivares QPM tais como o BR 451, o BR 473 e o BR 2121.Entretanto, a performance desses materiais no estado de Roraima poderia ser melhor com a execução de um trabalho de melhoramento de materiais QPM realizado in loco. Em vista disso, a Embrapa Roraima está elaborando um projeto para melhoramento de populações de milho QPM com vistas a fornecer cultivares desse material adaptadas às condições do estado e que venham contribuir para uma melhor nutrição dos nossos agricultores.por Aloisio Alcantara Vilarinho** Pesquisador da Embrapa Roraima, doutor em Genética e Melhoramento

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.