Mantega admite tomar medidas impopulares para combater inflação

Ministro admitiu que o governo não titubeará em adotar medidas como a alta na Selic

Gustavo Porto e Francisco Carlos e Assis, da Agência Estado,

12 de abril de 2013 | 11h39

SÃO PAULO - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, considerou, há pouco, em São Paulo, que o controle da inflação é tão importante quanto a solidez fiscal e avaliou que o governo tem cumprido metas para o IPCA nos últimos anos. "Nos últimos cinco anos estamos cumprindo meta de inflação". Mantega admitiu que o governo não titubeará em adotar medidas impopulares, como a alta na Selic.

"O governo tem dado atenção ao combate da inflação e posso assegurar que em 2013 não será diferente. Vamos tomar medidas, mesmo que não populares, como o ajuste na taxa de juros", disse.

Mantega garantiu que o cenário político - já que em 2014 haverá a eleição para presidente - não influenciará nas ações do governo para combater a alta nos preços. "Não nos pautamos por calendários políticos; a área economia não se pauta por calendários políticos", garantiu.

Ele lembrou que ano passado houve a valorização do real e isso causou inflação, com um ajuste posterior na moeda norte-americana. "Essa inflação é passageira e se câmbio não sofrer novas quedas, não afetará inflação"

O ministro disse que o câmbio é menos valorizado hoje que no passado e que as mudanças em curso no Brasil demoram para surtir efeitos. O ministro avaliou ainda que o juros altos levaram o setor produtivo a fazer operações financeiras e que "quando se reduz juros, o setor produtivo investe", disse. "Está havendo uma transição de juros altos para aumento de produção".

O ministro afirmou ainda que a "a economia tem que se adaptar a um câmbio mais baixo" e voltou a citar o programa de desonerações implantado no País pelo governo. "Estamos implantando no Brasil um forte programa de desonerações. O programa de desonerações é muito ousado, pois a carga tributária é alta no Brasil", disse.

Segundo ele as desonerações chegam a 1% do PIB e atingirão R$ 70 bilhões em 2013. "Para 2014 está programada uma desoneração de R$ 88 bilhões, quase 2% do PIB", disse o ministro, citando que 42 setores já estão sendo beneficiados pela desoneração da folha e outros engrossarão o grupo.

O ministro disse ainda que a reforma do ICMS ainda tem chance de ser aprovada no primeiro trimestre deste ano e que a próxima reforma será a do PIS/Cofins. "Além disso, desde 1999, praticamos superávit primário elevado e diminuindo déficit. Temos solidez fiscal e nossa dívida agora está próxima de 35% do PIB", concluiu.

Atividade

Mantega afirmou que expectativa para o crescimento da economia brasileira é positiva para 2013, com a melhora do cenário internacional. Segundo ele, a previsão é que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) seja de 3,5% neste ano e de 4,1% no ano que vem, "melhor do que em 2012, que foi ruim".

De acordo com Mantega, a melhora no cenário global "ocorre principalmente por conta da economia americana, que segue melhor que a europeia". As afirmações foram feitas, há pouco, no seminário Rumos da Economia - Nosso Modelo de Crescimento, em São Paulo.

Para Mantega, a zona do euro "segue deprimida, com crescimento abaixo de zero e não deveremos esperar estímulo para a economia proveniente da região". Já a China, segundo ele, seguirá com um crescimento de 7,5% neste ano.

O ministro afirmou que há uma recuperação moderada do comércio internacional e que a expectativa é de um crescimento das exportações de manufaturados. O ministro reafirmou anda que, o desemprego na Zona do Euro segue em ritmo de crescimento e que o cenário para os Estados Unidos é melhor. "No Brasil, estamos até com falta de mão de obra em alguns setores. A massa salarial é crescente no Brasil e por isso nosso consumo está em expansão", disse.

Mantega citou ainda a geração de 1,3 milhão de empregos em 2012, o que eleva mercado consumidor no País. "Dependemos mais do mercado interno que externo e o Brasil se situa na faixa de crescimento mais expressivo", afirmou.

Japão

O ministro afirmou que as medidas de afrouxamento monetário adotadas pelo novo governo do Japão "devem levar a uma dinamização da economia local". Mantega classificou as medidas como "bastante ousadas para o estilo japonês", com a política monetária altamente expansionista, "um quantitative easing semelhante ao americano", para criar inflação, de acordo com ele. "Tem gente querendo criar e tem gente combater a inflação", brincou o ministro, numa referencia ao fato de o governo brasileiro buscar uma queda da inflação.

Mantega afirmou, no entanto, elogiou a ação do governo japonês e avaliou que objetivo é do afrouxamento no país visa irrigar economia com ativos financeiros e tentar movimentá-la, com as taxas de juros mais baixas.

"A diferença em relação ao quantitative easing americano é que a ação do Japão é complementar política monetária com fiscal, com estímulos aos investimentos", disse. "Política monetária isoladamente não necessariamente leva a uma recuperação economia e os Estados Unidos tiveram dificuldades para estímulos fiscais", completou.

O ministro avaliou, no entanto, que Japão está conseguindo baratear custo das exportações e que as medidas trarão implicações como o aumento na liquidez.

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