Mantega garante: inflação está caindo

Ministro afirmou que a inflação brasileira está dando sinais de redução, principalmente por causa de queda nos preços das commodities e dos alimentos

Eduardo Rodrigues, Adriana Fernandes e Fabio Graner, da Agência Estado,

30 de dezembro de 2010 | 16h32

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta quinta-feira, 30, que a inflação brasileira está dando sinais de redução, principalmente por causa de queda nos preços das commodities e dos alimentos. "Como eu vinha dizendo, o aumento da inflação tinha um forte componente sazonal", disse o ministro após encontro com o presidente Lula, no qual fez um balanço sobre a situação econômica brasileira. Segundo o ministro, houve uma expressiva queda do IGP-M em função do recuo dos preços das commodities.

Segundo Mantega, o presidente Lula disse ter ficado satisfeito com o cumprimento da meta de 1 milhão de moradias contratadas pelo programa "Minha Casa, Minha Vida" e com o recorde de exportações de US$ 200 bilhões em 2010. "Tivemos um recorde de embarques, mesmo com as dificuldades que persistem na economia mundial".

O ministro disse ainda que a população está feliz, depois de um bom Natal de vendas e um momento onde a economia brasileira apresenta bons níveis de emprego e renda. "O crescimento da economia em 2010 vai ser um dos melhores da história. A economia está aquecida, mas a inflação está controlada".

Sazonalidade

O ministro avaliou que não há nenhum perigo de "fugir" das metas de inflação. Segundo ele, a inflação está sob controle, ao comentar a queda dos preços de commodities que influenciou a redução do IGP-M.

Mantega aproveitou para alfinetar indiretamente o Banco Central: "Não foi por falta de dizer. Era uma inflação com componente sazonal e não estrutural. Isso faz com que possamos terminar o ano com a economia aquecida e controlada, e não há nenhum perigo de fugir das metas", disse.

Ele destacou também que as exportações atingiram o recorde de US$ 200 bilhões, mesmo levando em conta que outros países não tiveram recuperação.

O ministro disse ainda que em 2012 o valor do salário mínimo será beneficiado por causa do crescimento da economia em 2010, isso porque a política de correção do salário mínimo é feita com base no PIB de dois anos anteriores.

Meta fiscal

O ministro confirmou que o governo fará a meta cheia de superávit primário em 2011, podendo, inclusive, superar a meta estabelecida, gerando uma poupança adicional. "Posso garantir que no ano que vem estaremos cumprindo a meta cheia de superávit e deveremos até ter uma poupança adicional, que poderá ser aplicada no Fundo Soberano ou utilizada para fazer desonerações", disse Mantega. Segundo ele, o governo planeja desonerar alguns setores a partir do próximo ano, mas para isso "precisa ter lastro".

De acordo com o ministro, no entanto, eventuais medidas nessa direção só serão discutidas a partir do fim de janeiro. Mantega argumentou que o cumprimento da meta com um adicional poderá ser alcançado, uma vez que o governo já estaria impedindo aumentos de gastos, o que vem melhorando a relação dívida/PIB. "Devemos fechar 2011 abaixo dos 38%", concluiu o ministro.

Capital externo

Mantega informou que o governo não voltará a cobrar Imposto de Renda dos investidores estrangeiros em títulos públicos. Em relação à questão cambial, o ministro destacou que o dólar sofreu recentemente novas desvalorizações em escala internacional e não só contra o real, embora a moeda brasileira também tenha sido atingida. Para o ministro, o câmbio brasileiro tem oscilado dentro duma faixa "normal", mas afirmou que a questão cambial será enfrentada no próximo governo com medidas na área comercial.

Mantega também afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória com as medidas para estimular o crédito de longo prazo, anunciadas em meados deste mês.

(Texto atualizado às 17h08)

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