Mantega: IPOs devem trazer mais dólares para o Brasil até o fim do ano

Para ministro, déficit em transações correntes deve ser amenizado com as capitalizações das empresas brasileiras no mercado internacional

Eduardo Rodrigues e Adriana Fernandes, da Agência Estado,

27 de julho de 2010 | 14h34

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, argumentou nesta terça-feira, 27, que o déficit em transações correntes deve ser amenizado, em parte, no segundo semestre do ano, devido às capitalizações já anunciadas de empresas brasileiras no mercado internacional. "Os IPOs previstos até o fim do ano devem trazer mais dólares para o Brasil", disse, destacando a operação que deve ser realizada até dezembro pela Petrobrás.

Mantega também considerou que os embarques de commodities nos próximos seis meses devem fortalecer o saldo comercial. No entanto, ressaltou, a contribuição do resultado global das exportações para o equilíbrio das contas externas ainda depende da recuperação dos mercados internacionais, o que só deve ocorrer a partir de 2012.

Segundo o ministro, até lá o Brasil deve continuar apostando nas vendas de produtos básicos. Para ele, no momento, não é ruim o fato de que esses bens substituam os manufaturados na pauta de exportações brasileiras. "Houve uma reviravolta. Exportar commodities atualmente possibilita a apropriação de muito valor", completou.

Vulnerabilidade externa

O ministro destacou que, apesar do aumento do déficit da conta corrente do balanço de pagamentos do Brasil com o exterior, a vulnerabilidade externa do País é a menor da sua história. Isso ocorre, segundo ele, devido ao aumento crescente das reservas internacionais e redução do endividamento externo. Essa combinação de fatores positivos faz com que a dívida externa líquida (contabilizando as reservas) em 12 meses seja hoje negativa em 3% do PIB, ou seja, as reservas são maiores do que a dívida externa. "É a menor vulnerabilidade", destacou Mantega.

Mecanismos regulatórios

Mantega avaliou que no médio prazo o déficit nas transações correntes deve levar a uma depreciação do real, mas considerou que o fenômeno ainda não ocorre porque o País continua recebendo volumosa quantidade de investimentos estrangeiros em portfólio no mercado financeiro, nas compras de títulos e ações. "O déficit deveria puxar uma desvalorização (do câmbio), mas há outros fatores, como o fluxo financeiro para o Brasil, que sustenta oferta de dólares para o mercado", disse.

Mantega acrescentou que apesar do descompasso entre a tendência de queda no real e a formação de preços futuros, o governo não irá alterar nenhuma regra para regular o câmbio. "Não estamos pensando em mexer nos mecanismos regulatórios", afirmou.

Para o ministro, a adoção da cobrança de IOF na entrada de capitais no país cumpriu o objetivo de conter a volatilidade do câmbio e evitar uma apreciação exagerada do real. Apesar de afirmar não enxergar uma forte ação especulativa, Mantega defendeu a ação do Banco Central no mercado futuro de câmbio, seja por meio de operações de swap ou pela limitação da exposição dos bancos. "Sou favorável à atuação do BC, quando oportuna", completou.

(Texto atualizado às 15h00)

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