Mantega promete medidas cambiais e comerciais

Objetivo é combater práticas desleais de concorrência e a desvalorização artificial de moedas estrangeiras

Eduardo Rodrigues e Renata Veríssimo, da Agência Estado,

26 de julho de 2011 | 11h49

BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, retomou a ameaça feita ontem e afirmou nesta terça-feira, 26, que o governo brasileiro deverá tomar novas medidas cambiais e comerciais para combater práticas desleais de concorrência e a desvalorização artificial de moedas estrangeiras.

"A competição para a venda de manufaturados no mercado internacional está muito acirrada. Existe muita capacidade instalada ociosa no setor, o que leva países a adotarem práticas desleais de concorrência", afirmou o ministro na abertura da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), o chamado "Conselhão". "Não vamos deixar a guerra cambial nos derrotar."

Segundo ele, até mesmo os Estados Unidos têm sido usados para a triangulação de mercadorias punidas por dumping no Brasil. "As mercadorias mudam de etiqueta e vêm para o País, e talvez por isso os EUA tenham superávit comercial com Brasil", afirmou. "O governo está olhando e vai tomar medidas importantes nesse campo".

Inflação

Ao discutir a inflação, o ministro afirmou que ela já está controlada no País, após o crescimento verificado no começo do ano. "Eu diria que esse problema está controlado. As commodities deixaram de pressionar a inflação nos últimos meses."

Mantega também lembrou as medidas monetárias e macroprudenciais tomadas pelo governo, também no sentido de reduzir a demanda e o crédito no País. "Significa que o governo não economizou esforços para deixar a inflação sob controle", disse.

O ministro garantiu que a equipe econômica conseguirá manter a inflação dentro do limite superior da meta, que vai até 6,5%. "Desde 2005 temos cumprido as metas e em 2011 faremos isso mais uma vez", afirmou.

Mantega, porém, não descartou a necessidade de novas medidas para controlar o aumento dos preços. "O combate a inflação é uma prioridade que será mantida e o governo continuará vigilante tomando todas as medidas necessárias", adiantou. Segundo ele, a estratégia do governo, "embora implacável, não derrubou a economia".

Dívida americana

Sobre o cenário econômico nos Estados Unidos, o ministro da Fazenda afirmou que acredita em um acordo entre o governo e o Congresso americano em torno da elevação do teto da dívida norte-americana. No entanto, confessou estar apreensivo pelo rumo que as negociações estão tomando. "Mas espero que tenha sensatez na solução", afirmou.

Mantega chamou de "Marcha da Insensatez" o processo nos Estados Unidos. "Eu torço para que eles resolvam essa situação. Seria ruim para o mundo todo um default (dos EUA). O governo (norte-americano) não terá como pagar as dívidas, os serviços públicos, nem os investimentos. Seria uma grande insensatez se não conseguissem resolver está situação."

Mantega disse ainda que há um momento delicado na economia mundial e que é preciso estar atento às consequências que podem ocorrer no Brasil. "Para os próximos anos, o panorama não é diferente nos países avançados, que terão taxas de crescimento baixas, insuficientes para resolver os problemas econômicos", previu. Segundo ele, a estagnação dos países avançados atrapalha os emergentes, mas não a ponto de impedir o crescimento econômico. Ele previu um crescimento médio de 5% para o Brasil até 2015.

Mantega afirmou também que a crise mudou de fase. "Deixou de ser uma crise financeira privada e passou a ser uma crise soberana. A solução não é simples e deve se arrastar ao longo dos anos. Os países emergentes continuarão crescendo, mas enfrentando problemas", afirmou.

Brasil sólido

Para o ministro, o Brasil é um dos países mais preparados para enfrentar os problemas mundiais por causa da solidez da economia e do forte mercado doméstico. "O que falta no mundo é mercado. O Brasil tem grande vantagem porque construiu o mercado interno" Segundo Mantega, a demanda interna estimula a economia brasileira e os investimentos. "Vamos garantir esta demanda para manter a economia ativada. Esta demanda vem da ascensão social", disse o ministro, acrescento que a demanda no País é constituída por emprego e renda.

Mantega lembrou que o governo trabalhou no sentido de moderar a economia. "Crescemos 7,5% no ano passado e estamos reduzindo a demanda e o crescimento do crédito. No primeiro trimestre, já vimos este resultado e, no segundo trimestre, o crescimento será menor que isso", afirmou. O ministro disse que a economia já cresce num patamar de 4,5%. "A economia não está superaquecida. Portanto, é um crescimento sustentável", afirmou.

"Reduzindo gastos públicos, não derrubamos o crescimento do emprego. Está é uma conquista da sociedade. O Brasil é um dos países do mundo que mais gera emprego e não vamos deixar escapar esta conquista", disse.

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