Mantega quer que sucessor do FMI seja transitório até fim do mandato

Para ministro, é preciso um tempo maior para amadurecer uma candidatura permanente; mandato do ex-diretor do fundo se encerraria no final de 2012

Renata Veríssimo, da Agência Estado,

23 de maio de 2011 | 13h23

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendeu nesta segunda-feira, 23, que o sucessor de Dominique Strauss-Kahn no Fundo Monetário International tenha um mandato transitório até o final de 2012, quando se encerraria a gestão do ex-diretor-gerente do organismo multilateral que pediu demissão após ser acusado de tentativa de estupro. Mantega disse que é preciso um tempo maior para amadurecer uma candidatura permanente. "Gostaríamos de um tempo maior para amadurecer a sucessão. O candidato deve viajar, conversar com os países de peso maior", disse Mantega, referindo-se ao fato de que Strauss-Kahn visitou vários países para fazer campanha e apresentar seus propostas à frente do FMI.

Mantega afirmou que o Brasil vai analisar todas as candidaturas que serão apresentadas até 10 de junho. "Aí é que começa o período de avaliação dos candidatos. O processo é meio apertado e se encerra em 30 de junho", disse.

O ministro da Fazenda defendeu que o sucessor de Strauss-Kahn seja uma pessoa experiente e que já esteja participando do processo de discussão dos problemas que enfrentam as economias mundiais. Mantega sugeriu que seja um membro do G-20, ministro da economia ou presidente de Banco Central que no G-20 tenha acompanhado "pari passu" os problemas da economia mundial e que teria ajudado na solução. Para o ministro, um candidato com esse perfil não o tornaria fraco mesmo tendo um mandato mais curto.

Segundo o ministro, essa transição daria mais tempo para se estabelecer um procedimento mais amadurecido de escolha da pessoa que vai ficar à frente de uma instituição tão importante quanto o FMI. Ele disse ainda que o Brasil não tem nenhum candidato brasileiro à sucessão de Strauss-Kahn e afirmou não ser importante a nacionalidade. "O importante é ter um bom candidato de país emergente ou avançado. Não é importante a nacionalidade", disse. "Por isso, é que queremos superar essa questão da nacionalidade. Para nós é importante o preenchimento das condições", salientou.

O ministro disse que o Brasil quer saber quais são as propostas de todos os candidatos, como se irão continuar as reformas, qual o peso que terão os emergentes nos votos do FMI. "Precisamos ter segurança que o FMI não vai retroagir ao passado". Segundo Mantega, até ordem contrária, todos são bons candidatos.

Ele contou que conversou com a presidente Dilma Rousseff sobre a sucessão do FMI na semana passada. "Vou analisar a candidatura que está mais afinada com a nossa posição", afirmou Mantega.

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