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Marcas pagam por posts de pessoas comuns no Twitter

Cerca de 30 mil tuiteiros estão cadastrados em plataforma de distribuição de anúncios

Marina Gazzoni, O Estado de S.Paulo

02 de maio de 2016 | 03h00

O goiano Marcus Silva já foi “garoto-propaganda” para diferentes marcas desde 2010. Ele já promoveu a Algar Telecom, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), a escola de inglês Italki, o Sebrae e o lançamento do filme No Coração do Mar. Mas, se você nunca ouviu falar dele, não se sinta alienado. Silva é um dos cerca de 30 mil brasileiros “desconhecidos” que integram uma rede de divulgação de anúncios no microblog Twitter.

O “seeding do Twitter”, como é chamado o serviço de divulgação de anúncios por usuários da rede, foi criado pela empresa brasileira de tecnologia para publicidade boo-box/ftpi, usando recursos oferecidos pelo microblog. Qualquer pessoa que tenha um perfil no Twitter pode se cadastrar no serviço e colocar seu perfil à disposição dos anunciantes. Os textos são redigidos pelas marcas, sinalizados com “#ad” e divulgados automaticamente na linha do tempo do tuiteiro. Em troca, eles recebem uma remuneração.

Os valores variam conforme a campanha. Alguns são pagos por impressão (visualização) e outros por quantidade de cliques nos links compartilhados no post. O preço de tabela da boo-box/ftpi é de R$ 9,35 a R$ 16,50 por clique. Os tuiteiros ficam com 40% do valor e a empresa com 60%. Em 2015, a boo-box/ftpi recebeu cerca de R$ 2,5 milhões na plataforma e distribuiu cerca de R$ 1 milhão aos tuiteiros. O Twitter não é remunerado nesse formato de anúncio.

Silva conseguiu levantar cerca de R$ 500 com os posts no Twitter. “Não sou divulgador de publicidade ou influenciador digital. Entrei por curiosidade, para ver como funcionava. E dá resultado. Pensei: Por que não?”, diz Silva, que trabalha na área de planejamento e desenvolvimento de sites.

Antes de Silva ou qualquer cidadão comum pensar em ganhar dinheiro com posts patrocinados, famosos do mundo todo e influenciadores digitais, que têm um número significativo de seguidores, já cobravam para falar das marcas nas redes sociais. “O post de um famoso consegue alcance imediato e o seu endosso na marca. Por outro lado, o tuíte do usuário comum custa menos e espalha uma mensagem de forma mais pulverizada, por meio de uma recomendação entre amigos”, explica o presidente da boo-box/ftpi, Guga Mafra.

Enquanto Silva tem 728 seguidores no Twitter, famosos como Ivete Sangalo e a vloger Kéfera somam, respectivamente, 14,6 milhões e 1,6 milhão de fãs no microblog.

Mesmo assim, para as marcas, ter suas iniciativas e produtos divulgados por pessoas comuns tem seu valor. “As pessoas aderem mais a um plano de telefonia quando recebem indicação de um amigo. Todas as pessoas são influenciadoras em seus grupos sociais”, diz Guilherme Shimogaki, gerente de mídia da agência Sic, responsável pela campanha da Algar Telecom.

Para testar a ferramenta, a agência colocou apenas 2% da verba de marketing no “seeding do Twitter” para promover o serviço de telefonia móvel pré-pago da Algar, em março. “Deu mais resultado do que em outras plataformas digitais que custaram dez vezes mais”, diz Shimogaki, que vai ampliar o investimento na próxima campanha da marca.

Segmentação. Um dos recursos mais atrativos da plataforma é a possibilidade de segmentar o “porta-voz” da mensagem. A agência MP Publicidade escolheu apenas usuários da região Sudeste, área de atuação do seu cliente, a rede de varejo Hortifruti.

“Ela escolheu apenas pessoas que escrevem posts divertidos no Twitter para divulgar a plataforma Hortiflix, que faz paródias ‘naturebas’ de grandes produções de cinema.”

O tuiteiro pode escolher o tipo de mensagem que quer transmitir. “Defini que não quero publicar nada sobre esportes. Não tem nada a ver comigo”, afirma a publicitária Anne Carolina Rego, dona do perfil “garotaácida”. Ela configurou seu Twitter para divulgar um anúncio a cada dez posts. “Ganho menos, mas não encho o saco de ninguém”, diz. Anne tira até R$ 100 por mês com anúncios. “É como a restituição da nota fiscal paulista. Você dá o CPF, acumula aos poucos e resgata.”

Inovação. O serviço do Twitter foi criado pela boo-box/ftpi como uma solução de remuneração de produtores de conteúdo online, conta Mafra. A empresa já tem uma rede de 700 mil sites cadastrados para distribuição de banners. “Muitos tinham contas no Twitter e queríamos rentabilizar isso.” A ferramenta, porém, foi além dos blogueiros e chegou às pessoas comuns.

Mafra diz que não há solução similar para o Facebook, porque a rede não tinha ferramentas para a prática até pouco tempo atrás. No último dia 12, o Facebook atualizou sua política para posts patrocinados, permitindo que as empresas “marquem” a publicação de usuários da rede em suas páginas para ter mais audiência.

As marcas devem focar, por enquanto, os perfis de famosos. A Skol Beats, por exemplo, fez sua estreia na plataforma com um post do DJ Alok, durante o festival de música eletrônica Tomorrowland.

Procurado, o Twitter não deu entrevista. / COLABOROU BRUNO CAPELAS

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