Paulo Whitaker|Reuters
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Marfrig compra National Beef por quase US$ 1 bi e ações disparam 19%

Empresa adquiriu 51% das ações da americana, a quarta maior processadora de carne bovina dos Estados Unidos

Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

09 Abril 2018 | 09h43

Em movimento calculado para se solidificar como uma companhia de carne bovina, a Marfrig Global Foods anunciou nesta segunda-feira, 9, um acordo para a compra de 51% das ações da americana National Beef por US$ 969 milhões (cerca de R$ 3,3 bilhões). O primeiro movimento relevante de aquisição da companhia após uma série de venda de ativos deve ampliar em 35% os abates de bovinos do frigorífico, para um total de 35 mil cabeças por dia. O mercado financeiro reagiu com entusiasmo. Os papéis do grupo na B3 subiram 18,8%, para R$ 7,39.

"Nossa decisão é de colocar o foco no negócio bovino", disse o presidente da Marfrig, Martin Secco, acrescentando que a aquisição tem o aval do conselho de administração. O fechamento do acordo vem cerca de oito anos depois de uma longa - e infrutífera - negociação entre a National Beef e a JBS (leia mais ao lado). Para conseguir selar de vez o acordo , a Marfrig precisará do aval do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), seu segundo maior acionista, com 33,7%.

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Desta vez, porém, o banco de fomento - que financiou várias aquisições da Marfrig no passado, tendo liberado cerca de R$ 4 bilhões à companhia - não vai emprestar dinheiro novo (leia abaixo). Para concretizar a operação, a empresa realizou empréstimo com o holandês Rabobank. Com a transação, a Marfrig passa a consolidar os resultados da National Beef, ampliando suas receitas anuais para cerca de R$ 43 bilhões. 

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Trajetória. Fundada em 1992, a National Beef faturou R$ 24,3 bilhões no ano passado. Desde 2011, controlada pela holding de investimentos americana Leucadia. O grupo tem capacidade de abate de 12 mil cabeças de gado ao dia e é sediado em Kansas City, no Estado do Missouri. É proprietário de duas unidades de processamento em Dodge City e Liberal, no Estado do Kansas, que respondem por 13% da capacidade de abate do mercado americano.

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Os principais executivos da National Beef permanecerão na empresa, que segue sob a gestão de Tim Klein, atual CEO e presidente, disse a Mafrig. O conselho de administração da National Beef será composto por nove membros, dos quais cinco serão indicados pela Marfrig, dois pela Leucadia e dois por outros acionistas minoritários.

Depois da conclusão da operação, a Leucadia vai transferir o controle acionário para a Marfrig e se manterá como acionista minoritária da empresa, com uma fatia de 31% do capital total, disse a Marfrig, em comunicado. A National Beef exporta para 40 países, incluindo Japão e Coreia do Sul. 

Com a transação, a Marfrig afirma que passará a consolidar em seu balanço 100% dos resultados da National Beef, reduzindo sua alavancagem. Em 2017, a dívida total da Marfrig representava 4,55 vezes seu Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações). Com a aquisição, o indicador cai a 3,35 vezes, disse a empresa.

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Vendas. Em paralelo à compra da National Beef, a Marfrig pretende se desfazer da Keystone Foods, fornecedora do McDonald’s nos Estados Unidos, que tem foco no segmento de frango. Caso a venda ocorra, a Marfrig estima reduzir sua alavancagem para 2,5 vezes o Ebitda. A meta é fechar os dois acordos até o meio do ano.

A aquisição da National Beef marca uma “virada de chave” para a Marfrig. Nos últimos anos, a companhia se desfez de ativos, para reduzir seu endividamento. Em 2012, repassou a marca de varejo Seara à rival JBS, dos irmãos Batista. Em 2015, foi a vez de a europeia Moy Park ter o mesmo destino, por cerca de US$ 1,5 bilhão.

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