Paulo Whitaker|Reuters
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Marfrig vende Keystone para americana Tyson por US$ 2,5 bi e ações despencam

Com a venda da companhia, uma da maiores fornecedoras de carne de frango industrializada para o McDonald’s, papel do frigorífico brasileiro caiu 9,3%, a maior baixa do Ibovespa; expectativa do mercado era de que operação chegasse a US$ 3 bilhões

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

17 Agosto 2018 | 11h06
Atualizado 17 Agosto 2018 | 20h31

A gigante americana Tyson Foods fechou acordo com o grupo brasileiro Marfrig para comprar, por US$ 2,5 bilhões, a Keystone, uma das maiores fornecedoras de carne de frango industrializada para o McDonald’s, apurou o ‘Estado’ com fontes a par do assunto. O anúncio da transação, ainda não oficializado entre as partes, derrubou os preços das ações da Marfrig. Os papéis, que chegaram a atingir pico de alta de 10% na manhã desta sexta-feira, 17, na Bolsa, encerraram em baixa de 9,3%, a R$ 6,34, a maior queda do Ibovespa. A expectativa do mercado era de que o valor da operação chegaria a US$ 3 bilhões.

O acerto foi feito na noite de quinta-feira, nos Estados Unidos. Pelo acordo, a Tyson Foods levará todos os ativos da companhia, que incluem fábricas nos Estados Unidos, Coreia do Sul, Tailândia, Malásia e Austrália. Ficou fora da venda apenas uma unidade processadora de hambúrguer bovino. Procurada, a Marfrig não comenta. A Tyson não retornou os pedidos de entrevista. 

O grupo americano ganhou exclusividade para comprar a Keystone em julho – a rival Cargill também tinha interesse no negócio, mas não queria ficar com a divisão da empresa na Ásia. A chinesa Cofco também estava no páreo, segundo fontes a par do assunto.

Adquirida pela Marfrig em 2010, por US$ 1,26 bilhão, o faturamento da Keystone foi de US$ 2,8 bilhões no ano passado. Com a venda desse negócio, o frigorífico brasileiro se concentrará em carne bovina – o grupo é o segundo maior produtor global, atrás da rival JBS, da família Batista – e reduzirá suas pesadas dívidas. 

Como parte desta estratégia, a companhia controlada pelo empresário Marcos Molina anunciou, no início de abril, a aquisição de 51% do controle da National Beef, quarto maior frigorífico dos EUA, por US$ 969 milhões. À época, também informou que venderia a Keystone. O JP Morgan foi contratado pelo grupo para assessorar a operação. O plano, até então, era abrir o capital dessa empresa.

Nesta semana, ao divulgar os resultados financeiro, o diretor financeiro da companhia brasileira, Eduardo Miron, já havia sinalizado que a venda da Keystone seria concluída nos próximos dias. No segundo trimestre, a companhia encerrou com prejuízo líquido de R$ 582 milhões, aumento de 122% sobre o segundo trimestre de 2017. A receita líquida subiu 135%, para R$ 5,115 bilhões. A dívida líquida da Marfrig ficou R$ 16,27 bilhões – em junho do ano passado, era de R$ 22,5 bilhões.

A meta do frigorífico brasileiro é reduzir, até o fim do ano, a relação dívida líquida sobre lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) para abaixo de 2,5 vezes. Atualmente, esta relação está em 4,2 vezes.

Em comentário sobre a venda da Keystone, o BTG Pactual acredita que a transação é positiva e vai levar a ação da Marfrig a um múltiplo mais próximo da média do setor. Analistas do banco de investimento projetam que vê o nível de alavancagem cairia para 1,9 vez.

BNDES injetou mais de R$ 4 bilhões na Marfrig

A Marfrig, que tem entre seus principais acionistas o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), foi um dos grupos escolhidos pelo banco de fomento como uma de suas apostas de “campeões nacionais” no setor de carnes, ao lado de outros frigoríficos, como JBS, Bertin e Independência. O BNDES injetou mais de R$ 4 bilhões na companhia. Nos últimos anos, Marcos Molina vendeu alguns ativos para – entre eles, o Moy Park, para o concorrente JBS. /COLABORARAM NAYARA FIGUEIREDO E CYNTHIA DECLOEDT

 

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