Medidas adotadas pelo governo são eficientes para conter crescimento excessivo, diz Tesouro

Secretário do Tesouro Nacional avaliou que não háum desequilíbrio mais forte no crédito para oconsumo e destacou que a ação mais adequada para o momento é de ser 'cuidadosamente contracionista'

Adriana Fernandes, da Agência Estado,

19 de maio de 2010 | 11h59

O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, avaliou que não há hoje na economia brasileira um desequilíbrio mais forte no crédito para o consumo. Ele destacou que as medidas fiscais adotadas pelo governo de corte no orçamento são muito eficientes para conter um crescimento excessivo da economia brasileira.

Ele ponderou que não observa no país um superaquecimento da economia. "Eu não usaria a expressão superaquecimento da economia. Acho que ela é excessiva para a situação", afirmou o secretário, após participar de audiência fechada na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara.

Ele destacou que a ação mais adequada para o momento é justamente a que vem sendo tomada, de ser "cuidadosamente contracionista". "É o que estamos fazendo. No superávit primário que vamos divulgar de abril, vocês vão poder verificar isso", disse. Ele destacou que esse cuidado é necessário para evitar exageros. "É preciso ser cuidadoso no sentido de não exagerar para o lado inverso".

Ele contou que, desde o início do ano, o governo estava observando o quadro econômico e foi "construindo a ideia" de adotar uma postura contracionista fiscal. Augustin ponderou que, ao avaliar o quadro do crédito no País, é preciso separar o de investimento e o de consumo. Ele ressaltou que o crédito para o investimento é necessário e "quanto mais tivermos, melhor". Essa é a razão, segundo ele, pela qual o governo concedeu o empréstimo de R$ 180 bilhões para o BNDES, "com muita segurança, aumentar o investimento". "Essa foi uma decisão do governo a partir de uma avaliação da economia", disse.

O secretário rebateu as críticas de que essa ação pró BNDES tenha efeito inflacionário na economia. "É o contrário do que os analistas tentam fazer a sociedade acreditar", disse. Augustin ponderou que os empréstimos do BNDES é para aumentar a capacidade instalada do país e, portanto, garantir o crescimento sustentado sem pressões inflacionárias. Já o crédito para consumo, destacou, é diferente dos investimentos. Em relação a esse aumento de crédito, o secretário disse que o Comitê de Política Monetária (Copom) tomou a medida que considerou adequada, com o aumento do juro. 

PAC

Augustin informou que a previsão de despesas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em 2011 será de R$ 32 bilhões. Esse é o valor que será incluído na Lei de Diretrizes Orçamentárias, em tramitação no Congresso Nacional. Ao enviar a proposta ao Congresso, o governo deixou em aberto o montante de despesas do PAC que poderão ser abatidas da meta de superávit primário das contas do setor público, em 2011. Essa falta do valor provocou críticas de parlamentares da oposição.

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