Medidas do Brasil para deter valorização do real são razoáveis, diz FMI

Segundo economista-chefe do fundo, valorização do câmbio é parte do reajuste para recolocar a economia global nos trilhos

Regina Cardeal, da Agência Estado,

21 de outubro de 2010 | 17h17

Os países emergentes têm de aceitar a valorização de suas moedas enquanto a economia global se recupera da crise financeira do ano passado, disse o economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard. Perguntado especificamente sobre as medidas adotadas recentemente pelo Brasil para conter a valorização do real, ele disse que podem ser consideradas razoáveis.

Blanchard disse que a valorização do câmbio é parte do reajuste para recolocar a economia global nos trilhos. "O ponto importante é que os emergentes têm de aceitar, não todos, mas na média, uma valorização necessária para o mundo se recuperar totalmente", acrescentou. Em muitos mercados emergentes, a valorização - que reduz a competitividade de seus produtos no exterior - ocorre em parte por causa da grande entrada de capital estrangeiro.

"Os fluxos de capitais são fundamentalmente uma coisa boa, mas, no contexto de alguns países, podem ser tão grandes que criam problemas", disse. Blanchard acrescentou que os países podem implementar medidas como controles de capitais ou acumulação de reservas, que podem ter custos elevados.

"Tome-se o contexto de um país onde a valorização já chegou a um nível que é considerado o correto e o capital continua entrando a uma taxa muito alta, então, para este país, faz sentido usar instrumentos macroprudenciais, talvez incluindo controles de capitais", disse.

Com relação ao estímulo monetário do Fed, Blanchard disse que os EUA precisam manter as taxas de juro baixas porque a demanda privada está muito baixa. Mas, quanto a possíveis medidas não-convencionais que o Fed possa adotar, ele disse que a autoridade monetária dos EUA precisa levar em consideração os efeitos que seu possível afrouxamento quantitativo poderá ter sobre o restante do mundo.

Blanchard disse que não se surpreendeu muito com o recente aumento do juro na China, uma vez que a economia do país asiático está dando sinais de superaquecimento. "Eles precisavam desacelerar as atividades", afirmou. As informações são da Dow Jones.

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