Medidas serão tomadas se tiver desequilíbrio em conta externa , diz BC

Chefe do Departamento Econômico sinalizou que o BC deve diminuir projeção de déficit em conta corrente por conta da avaliação de que o superávit comercial será maior do que o inicialmente previsto

Adriana Fernandes e Fabio Graner, da Agência Estado,

25 de maio de 2010 | 13h43

O chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes, disse há pouco que "medidas estão aí" para serem tomadas se houver desequilíbrio nas contas externas. Segundo ele, é natural que o nível mais elevado da atividade econômica leva a um aumento do déficit em transações correntes, como está sendo verificado agora na economia brasileira.

Ao ser questionado se o forte aumento do déficit devido ao crescimento econômico maior exigiria um ajuste, o chefe do Depec respondeu: "A própria situação leva a uma correção. Mas evidentemente se tiver desequilíbrios, medidas estão aí para serem tomadas".

Ao longo da entrevista para comentar o resultado das contas externas em abril, Altamir Lopes sinalizou em vários momentos que o BC deve diminuir a sua projeção de déficit em conta corrente por conta da avaliação de que o superávit comercial será maior do que o inicialmente previsto. Ele evitou, no entanto, admitir a mudança. Disse apenas que "pensa em rever no mês que vem". Em junho, tradicionalmente o BC refaz as suas projeções de contas externas que são incluídas no relatório trimestral de inflação.

"Não trabalhamos (agora) com a redução de déficit. O mercado é que trabalha. Ele tinha um déficit superior ao nosso e de certa forma está migrando para aquilo que estamos apresentando na nossa projeção", ponderou o chefe do Depec. Ele ressaltou que havia no mercado projeções de déficit em transações correntes "de US$ 51 bilhões, US$ 52 bilhões". "Tinha gente com projeções muito maiores do que isso", acrescentou Lopes.

A projeção atual do BC é de um déficit em transações correntes de US$ 49 bilhões. Na última pesquisa Focus, divulgada ontem, a estimativa do  mercado era de um déficit de US$ 48,05 bilhões. Segundo Lopes, a previsão de déficit do governo para o ano corresponde a 2,5% do PIB, um resultado bem menor, segundo ele, do que se comparado com anos anteriores. "Essa é a referência importante", disse ele.

O chefe do Depec destacou ainda que o resultado comercial de maio até agora - de US$ 2,015 bilhões - está bem maior do que se vinha observado em relação aos três primeiros meses do ano. "Temos visto negociações de preços de minérios de ferro melhores. E preços melhores para algumas commodities", destacou.

Na sua avaliação, o  mercado tem revisado as suas projeções de déficit em conta corrente porque há uma boa perspectiva em relação ao comércio devido ao aumento de preços. "Evidentemente, tudo isso tem que ser relativizado nesse momento em que temos de fato uma crise mais forte em alguns países da Europa. Ela pode afetar também a demanda desses países", argumentou.

Ele ponderou, no entanto, que se o Brasil perder em quantidade vendida ao exterior pode ganhar em preço. Uma coisa compensaria a outra.  "Se tivermos alguma retração na demanda chinesa, qualquer se seja, eles vão demandar menos commodities e nós poderemos ter alguma dificuldade em relação ao quantum exportado. Mas com ganho de preços isso tende a compensar e devemos fazer um saldo comercial até melhor do que imaginávamos no início do ano. Isso deve levar a um déficit em transações menor", sinalizou Altamir.

O chefe do Depec fez questão de ressaltar ainda que a alta mais forte da importação ocorre para "amparar" o crescimento mais acelerado da economia. Ele ressaltou que as importações acumuladas no ano crescem a uma taxa de 42%, enquanto a exportações tem alta de 25%. "A despeito do crescimento das exportações de 25% no acumulado, o crescimento das importações é muito forte. Ele se dá por força de importações de bens de capital para investimento e de matérias primas. O nível de atividade é bastante elevado e tem que ser amparado pela importação para dar sustentação", disse. O saldo comercial menor associado a gastos mais elevados da conta de serviços é que tem elevado a déficit em transações correntes. 

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