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Megainvestidor George Soros se desfaz de ações da Petrobrás

Empresário vendeu todas as suas ações da estatal, indo na contramão de diversos fundos, que não tinham participação na empresa e compraram papéis no primeiro trimestre do ano

Altamiro Silva Junior, correspondente , O Estado de S. Paulo

11 de junho de 2015 | 17h57

O megainvestidor George Soros, dono de uma fortuna estimada em US$ 24 bilhões, resolveu vender todas suas ações e opções de ações da Petrobrás, zerando suas posições na empresa brasileira. Com isso, ele deixa de ter exposição direta também ao Brasil, de acordo com documento enviado pela gestora de Soros à Securities and Exchange Commission (SEC), que regula o mercado de capitais dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo em que Soros se desfaz da Petrobrás, os dados mostram que a petroleira tem conseguido atrair novos fundos, que passaram a comprar ações da companhia no começo de 2015.

Soros foi na direção contrária do mercado no segundo semestre no ano passado, quando os papéis da Petrobrás despencavam por conta da repercussão da Operação Lava Jato. O megainvestidor aumentou naquele momento a aposta na empresa. Do segundo para o terceiro trimestre de 2014, a quantidade de papéis em sua carteira dobrou, para 5,1 milhões de ações. Em seguida, passou a reduzir as apostas para zerar agora, segundo os dados publicados pela SEC, que são do fechamento do primeiro trimestre. Pela legislação, os fundos são obrigados a mandar suas posições em todos os papéis ao final de cada três meses. Embora com uma defasagem na publicação, os número são acompanhados de perto por analistas e investidores em busca de pistas de onde os gurus de Wall Street investem ou deixam de investir.

Ainda nos papéis brasileiros, o megainvestidor também vendeu ações que tinha da Embraer e da Tim Participações, zerando a exposição a empresas que operam no País. Soros ainda tem papel com ligação ao Brasil, o da cervejaria Anheuser-Busch InBev, que tem sede na Bélgica. De companhias estrangeiras, uma das preferidas de Soros é a gigante chinesa de internet, a Alibaba, que abriu o capital na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) no ano passado. Soros tem ainda outros papéis de empresas chinesas na carteira, incluindo o site de buscas Baidu e a empresa Autohome, site especializado em serviços para automóveis, incluindo a venda de veículos. Na América Latina, o investidor aposta no Santander do México e na Telecom Argentina. Já nos EUA, ele tem papéis de várias companhias, incluindo Facebook, Kodak e o portal Yahoo!.

Ao contrário de Soros, fundos que não tinham os papéis da Petrobrás no final de 2014 passaram a fazer apostas na Petrobrás nos primeiros meses de 2015. Entre as 20 gestoras com maior volume de ações na empresa brasileira no final do primeiro trimestre, 12 estavam nessa categoria. Uma das gestoras é a Tyrian Investments, que comprou 2,3 milhões de papéis da petroleira. A gestora tem sede em Nova York e administra mais de US$ 1 bilhão. Outro fundo é o Senator Investment Group, que cuida de US$ 2,5 bilhões de ativos e adquiriu 20 milhões de papéis da Petrobrás.

Entre as carteiras que já apostavam na Petrobrás, não houve uma tendência única no primeiro trimestre, mostram os dados da SEC. O fundo Prince Street Capital Management aumentou as compras de ações em 117%; uma das carteiras da Discovery Capital Management elevou em 745% a aposta na petroleira. Já a Caxton Associates reduziu em 20% e a Maplelane Capital cortou em 23% o número de papéis na carteira. 

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