Meirelles diz que BC está disposto a corrigir 'desequilíbrios' da economia

'A grande vantagem é que (o BC) tem piloto'

Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

30 de abril de 2010 | 13h18

Dois dias após aumentar os juros em 0,75 ponto porcentual, uma alta considerada vigorosa por vários analistas, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, reafirmou que a autoridade monetária está disposta a corrigir desequilíbrios da economia. "Se existe desequilíbrio, isso será corrigido de uma forma ou de outra. Ou o Banco Central corrige e a grande vantagem é que (o BC) tem piloto, ou a inflação corrige e isso é um sistema que a história do Brasil já provou ser o pior de todos e é deletério para a sociedade".

Dívida pública

Meirelles disse ainda que seria importante para o próximo governo "manter a tendência cadente da dívida pública líquida em relação ao PIB (Produto Interno Bruto)".

Perguntado pela Agência Estado, Meirelles não quis comentar os péssimos resultados das contas públicas registrados em março. No mês passado, foi apurado um déficit primário de R$ 216 milhões, quando a mediana registrada pelo AEProjeções junto a 16 instituições apontou um superávit de R$ 4,9 bilhões, o que poderia dar uma indicação de forte contribuição do governo para o aquecimento da economia. Segundo ele, a evolução das receitas e despesas do Poder Executivo já são levados em consideração pelos "modelos econométricos" do BC.

Ele ressaltou, por outro lado, que o importante é que a dívida pública líquida é cadente, pois atingia no começo de 2003 um patamar próximo a 60% do PIB e hoje está ao redor de 42%. "É importante que essa trajetória positiva seja mantida pelos próximos governos porque hoje já estamos olhando à frente, a economia tem de olhar à frente, qual é a perspectiva dos próximos anos", comentou.

Autonomia

Além de dívida cadente, o presidente do Banco Central acredita ser importante que os próximos governos mantenham a autonomia operacional do Banco Central. Ele destacou que a liberdade que o BC desfruta hoje para atuar em diversas áreas, sobretudo em política monetária, fiscalização e supervisão financeiras, permitiram que o País registrasse bons resultados. A estabilidade macroeconômica gerada pela busca persistente da meta de inflação criou previsibilidade no País, estimulou investimentos, geração de empregos e confiança nas perspectivas para os próximos anos.

A supervisão financeira do Banco Central, que é reconhecida como um modelo internacional por outros bancos centrais, foi, segundo ele, fundamental para manter as instituições financeiras saudáveis e líquidas, o que permitiu que tais empresas não fossem ameaçadas pela recente crise internacional.

"É importante que o próximo presidente da República mantenha essa autonomia operacional do BC. Agora, se essa autonomia será uma decisão do presidente da República ou do Congresso Nacional e da sociedade, através de projeto de lei, isso não compete a um presidente do Banco Central dizer". Meirelles fez os comentários após participar do evento Regulamentação do Artigo 192: Desenvolvimento e Cidadania, promovido pelo Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal) e Ipea.

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