Meirelles diz que desafio do Brasil para crescer é a busca por produtividade

Segundo ex-presidente do BC, a economia atingiu estabilidade e passará a crescer a uma taxa menor; mercado de trabalho não deverá se expandir a taxas expressivas

Francisco Carlos de Assis, da Agência Estado,

31 de julho de 2012 | 13h14

O ex-presidente do Banco Central (BC) Henrique Meirelles reiterou há pouco que o principal desafio da economia brasileira daqui para frente é aumentar a produtividade. Durante o evento "Almoço com Henrique Meirelles - Economia Brasileira e as Perspectivas para o 2º Semestre", organizado pela FTI Consulting, ele fez uma avaliação da economia brasileira nos últimos 20 anos e traçou perspectivas para o segundo semestre de 2012.

De acordo com Meirelles, a economia brasileira entrou em um novo ciclo com a estabilização ocorrida na década de 1990, a taxa média de crescimento aumentando e o índice de desemprego recuando de um patamar de 13%. Mais recentemente, no ambiente da crise de 2008 iniciada com a quebra do Bear Stearns em março, e que evoluiu para a quebra do Lehman Brothers em setembro do mesmo ano, o Brasil soube contornar os efeitos da escassez de crédito concedendo financiamentos internamente.

Com o desemprego caindo para a taxa de quase pleno emprego, a economia brasileira, de acordo com Meirelles, passou usufruir do bônus da estabilidade. Ocorre que, segundo ele, a economia agora passará a crescer a uma taxa menor e o mercado de trabalho não deverá mais se expandir a taxas tão expressivas. Isso, conforme o economista, requer que o Brasil enfrente o desafio do alcance da produtividade.

Para Meirelles, é preciso separar os canais de transmissão da crise em fatores globais (conjunturais) e domésticos (estruturais). No que diz respeito à China, por exemplo, o ex-presidente do BC afirma que o gigante asiático está engajado em um processo de substituição do modelo de exportação por investimentos e aumento do consumo interno, o que afetará um pouco o Brasil. Em 2008, de acordo com Meirelles, ao contrário do México, que dependia quase que exclusivamente dos Estados Unidos para exportar, o Brasil não foi tão afetado pela crise porque suas vendas para o EUA estavam caindo, enquanto os embarques para a China aumentavam. Isso agora vai diminuir.

Ainda de acordo com Meirelles, o fluxo de capital deve cair, afetando o mundo todo e o Brasil ainda que de forma menos aguda. "Entramos na fase em que o desafio é a produtividade, que é a prioridade nacional, como a Educação e a desoneração dos custos das empresas para induzir investimento", disse Meirelles.

Perspectivas

Para Meirelles, o fato de o Brasil ter que enfrentar um novo desafio não quer dizer que está voltando atrás. "Temos que manter as coisas em perspectivas. O fato de termos que enfrentar um desafio agora não quer dizer que voltaremos atrás", reiterou. Segundo ele, o País tem hoje cerca de US$ 360 bilhões em reservas internacionais e a dívida cambial doméstica é quase inexistente. "O Brasil tem dívida pública externa substancialmente inferior às reservas. Temos trajetória inflação ancorada. Então, a realidade do País hoje é diferente", relativizou.

A discussão hoje, segundo Meirelles, é diferente e foca na questão de "se teremos ou não uma taxa de crescimento maior". "A taxa de crescimento hoje é de em torno de 2,5%. Uns falam mais outros menos. Para o ano que vem, em torno de 4%. A questão é qual taxa é sustentável. Faz diferença se situar em uma taxa de 3,5% ou 4,5%", disse Meirelles. 

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