Meirelles: Reunião do G-20 pode dar passo importante a acordo cambial

Presidente do BC disse acreditar em avanço na reunião dos líderes do grupo em Seul no mês que vem

Luciana Xavier, da Agência Estado,

26 de outubro de 2010 | 16h04

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse acreditar que a reunião dos lideres do G-20 em Seul, na Coreia do Sul, em novembro, poderá avançar para resolver o conflito cambial entre os países. "Evidentemente cada país adota a política cambial, monetária e econômica que julgue adequada para sua situação específica. Uma coordenação mundial é algo que se está buscando no âmbito do G-20 e se buscou também no âmbito do Fundo Monetário Internacional (FMI). Acredito que alguns passos importantes nesse sentido já foram dados", afirmou Meirelles a jornalistas, após participar nesta terça-feira, 26, da conferência The Buttonwood Gathering, da Revista The Economist, em Nova York. " Eu acredito que os dados já estão lançados e que a reunião em Seul, dos chefes de Estado, pode sim dar passos importantes nessa direção."

De acordo com Meirelles, um ponto importante que saiu da reunião dos ministros de finanças e presidentes de bancos centrais do G-20 na Coreia do Sul, no ultimo final de semana, foi a mudança no sistema de cotas do FMI. "A mudança no sistema de cotas do FMI indica claramente que qualquer solução global a partir de agora passará pelos países emergentes" , disse. "Essa é uma mudança fundamental na estrutura do poder econômico mundial. É uma mudança histórica, com significados maiores do que meramente uma mudança na estrutura de poder do Fundo Monetário Internacional. Isso significa que, desta vez, os efeitos de políticas monetárias de outros países, em países emergentes, passam a ser levados em conta e passam a ser parte do sistema de negociação global", explicou.

O G-20, que tem 80% dos votos dentro do FMI, decidiu corrigir desequilíbrios dentro do FMI, redistribuindo as cotas de cada país. Com isso países como Brasil e China passam a ter mais influência dentro da instituição e para decidir sobre questões globais.

Meirelles justificou ainda sua ausência no encontro do G-20 do último final de semana. Nem ele nem o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que levantou a questão da guerra cambial, estiveram presentes no evento. "Em relação à minha ausência, ela foi meramente por uma questão logística e de responsabilidade. O Copom se reuniu na quarta-feira e a reunião do G-20 aconteceu na sexta, na Coreia, que é 12 horas à frente. Se fizermos as contas, era absolutamente inviável que eu estivesse chegando na Coreia tempo para a reunião", disse. "A alternativa de não estar presente na reunião do Copom não me pareceu adequada, considerando-se que seria uma sinalização muito negativa na medida em que estou há quase oito anos no Banco Central e nunca faltei a uma reunião do Copom" , acrescentou.

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