Membro do FMI defende processo aberto para escolha de diretor-gerente

Para integrante do conselho da organização, uma eleição aberta baseada na votação formal "é o melhor e mais aceitável processo para o público"

Priscila Arone, da Agência Estado,

19 de maio de 2011 | 18h20

O Fundo Monetário Internacional deve encerrar sua antiga prática de escolha de seu principal dirigente se quiser a credibilidade de todo o mundo, afirmou nesta quinta-feira, 19, um integrante da Índia do conselho da organização. O diretor-executivo Arvind Virmani pediu aos membros do conselho que adotem um processo de votação transparente e publicamente divulgado para a escolha do sucessor de Dominique Strauss-Kahn.

Uma eleição aberta baseada na votação formal "é o melhor e mais aceitável processo para o público", disse Virmani em entrevista ao The Wall Street Journal. "Não deve ser arbitrário. É como se perde credibilidade".

O FMI tradicionalmente usa procedimentos informais e não escritos para selecionar um diretor-gerente. Qualquer um dos 24 membros do conselho de diretores, que representam os 187 membros do fundo, podem propor candidatos para o cargo. Mas em vez de adotar um sistema formal de votação baseado em suas ações votantes no fundo, os diretores usam um obscuro sistema de votação para chegar ao que chamam de uma decisão de "consenso". Países em desenvolvimento disseram que o processo de seleção a portas fechadas - usado para escolher todos os dez diretores-gerentes do organismo, todos da Europa - ameaça a legitimidade da organização.

Nesta quinta-feira, o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, e seu ministro da Economia, Giulio Tremonti, declararam seu apoio à candidatura de Christine Lagarde para o cargo de diretor-gerente do FMI. "A atual ministra Christine Lagarde seria uma escolha excelente", disse Berlusconi em comunicado divulgado nesta quinta-feira. Já Tremonti disse haver razões "ideais" para "qualquer um" apoiar a candidatura da ministra francesa.

Por outro lado, o ministro de Finanças do México, Ernesto Cordero, afirma que o presidente do banco central do país, Agustin Carstens é o "melhor candidato" para o cargo. Carstens conhece bem o fundo, onde trabalhou por anos. Cordero afirmou que o novo dirigente do FMI deve ser escolhido por mérito.

Dominique Strauss-Kahn renunciou na quarta-feira à noite ao cargo de diretor-gerente do FMI. Ele está preso em Nova York, acusado de tentativa de estupro contra a camareira de um hotel.

As informações são da Dow Jones.

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