Membro do Mercosul, Venezuela ameaça vetar acordo com EUA

Governo brasileiro vem trabalhando possibilidade de se aproximar dos EUA; Venezuela diz que não vai apoiar

Jamil Chade, AgênciaEstado

20 de julho de 2008 | 19h02

O governo da Venezuela alerta que vai bloquear qualquer tentativa de um acordo comercial entre o Mercosul e os Estados Unidos. Nos bastidores, o governo brasileiro vem trabalhando com a possibilidade de se aproximar dos Estados Unidos em uma espécie de acordo comercial. Mas, com a adesão da Venezuela ao Mercosul, Caracas deixa claro que não vai apoiar a iniciativa.   "Não temos porque ter um acordo (com os americanos) ou a idéia de uma projeto como a Alca (Área de Livre Comércio das Américas", afirmou ontem em Genebra o ministro de Comércio da Venezuela, Willian Contreras.   Segundo ele, os trabalhos técnicos para adesão da Venezuela ao Mercosul já estão "praticamente concluídos". "Estamos apenas esperando a ratificação por parte do Congresso brasileiro. Espero que isso ocorra logo", disse. O ministro acredita que a adesão da Venezuela ao Mercosul dará um "novo perfil ao bloco". "Vemos unir o potencial energético da Venezuela ao potencial agrícola do Brasil", afirmou. A Venezuela ainda ataca o acordo que está sendo proposto na Organização Mundial do Comércio (OMC) e insinua que está disposta a bloquear um tratado nas bases em que está sendo proposto. "A OMC está defasada e não dá uma resposta aos problemas do mundo real, como a crise alimentar. Alguns na organização parecem surdos diante de nossos apelos", disse Contreras, que tem o pomposo título de Ministro do Poder Popular para Indústrias Leves e Comércio.   Questionado se Caracas estaria disposta a vetar sozinha um acordo, respondeu apenas que "o tratado não poderá ser imposto a ninguém". "Não vamos aceitar chantagem política. Vamos manter nossa soberania", afirmou.   Em um encontro que manteve com o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, Contreras ainda deixou claro que não aceitaria que outros países tomassem decisões em seu nome. "Não delegamos a terceiros decisões soberanas", afirmou o ministro. Para ele, os objetivos original da Rodada Doha foram "esquecidos".

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