Membros do Fed negam indício de alta do juro

Segundo autoridades, a medida tem como objetivo dar início à retirada da liquidez emergencial concedida aos bancos no auge da crise financeira

Danielle Chaves, da Agência Estado,

19 de fevereiro de 2010 | 09h25

O anúncio feito pelo Federal Reserve na quinta-feira, 18, de elevação da taxa de redesconto em 0,25 ponto porcentual, para 0,75%, foi seguido por comentários de diversas autoridades do Banco Central norte-americano para explicar que a decisão não é o prenúncio de uma futura alta na taxa dos Fed Funds.

 

Além de alterar a taxa do redesconto, o Fed trouxe de volta ao overnight o prazo máximo para os empréstimos na linha do redesconto, que havia sido ampliado para 30 dias em agosto de 2007. Outro efeito das medidas anunciadas pelo Fed é o começo da normalização da diferença entre a taxa de redesconto e a taxa básica de juros (Fed Funds). Com a taxa de redesconto em 0,75%, a diferença para a taxa de juros passou de 0,25% a 0,50%, o que a aproxima do tradicional nível de 1%.

 

"As mudanças (...) representam mais normalização dos recursos para empréstimos do Federal Reserve", disse Elizabeth Duke, diretora do Fed. "Elas não sinalizam qualquer mudança na perspectiva para a política monetária e não se espera que elas levem a condições financeiras mais apertadas para famílias e empresas", acrescentou.

 

Dennis Lockhart, presidente do Federal Reserve de Atlanta, afirmou que "não interpretaria essa ação como um aperto da política monetária ou mesmo um sinal de que um aperto é iminente". Para James Bullard, presidente do Fed de St. Louis, a expectativa do mercado de uma alta nas taxas de juros neste ano são exageradas e isso não deve acontecer até 2011.

 

Para analistas, a atitude está em linha com a de outros bancos centrais do mundo. Rosalind Mathieson, colunista da Dow Jones, observou que a mensagem transmitida pelo Federal Reserve foi clara: "Nós estamos, como outros, agindo para reduzir a liquidez, mas reais aumentos nas taxas de juros não estão no horizonte", escreveu Mathieson na coluna Money Talks.

 

O Fed está seguindo outros grandes bancos centrais do mundo, que começam a agir para reduzir a liquidez - como os recentes movimentos na China e na Índia. No entanto, destacou Mathieson, o Fed manteve distância de um aumento dos juros básicos, tentando enxugar o excesso de dinheiro do sistema em vez de adotar medidas que poderiam ter um impacto econômico maior em um momento de alta taxa de desemprego nos EUA.

 

"O fato continua sendo que, sem uma clara melhora no mercado de trabalho, o Fed não será capaz de apertar a política monetária mais rapidamente", observou Yasuo Nakayama, gerente da Shinkin Central. A próxima reunião do Fed está marcada para o dia 16 de março.

 

As informações são da Dow Jones.

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