Menos vendas externas e safrinha farta

Esses foram os motivos principais para a queda das cotações internas do milho, cuja saca está valendo R$ 24

José Maria Tomazela - O Estado de S.Paulo ,

21 de agosto de 2008 | 15h26

A queda das exportações de milho, aliada à entrada de uma farta safrinha e o aumento dos estoques oficiais do cereal explicam a baixa dos preços internos do milho. O cereal é o principal componente da ração que alimenta aves e suínos. Entre janeiro e junho deste ano, o Brasil exportou 2,9 milhões de toneladas de milho, 300 mil a menos do que no mesmo período do ano passado. "O dólar baixo e a baixa demanda externa pelo cereal, que vinha substituindo a falta internacional de trigo, são os principais motivos de redução das exportações", diz Lucilio Alves, do Cepea. "Além disso, o cultivo maior da safrinha foi estimulado pelos bons preços na época de plantio, em 2007." Com isso, segundo estimativa da Conab, a safrinha deste ano deve ser 25% maior do que a do ano passado, passando de 14,773 milhões de toneladas para 18,392 toneladas, o que também permitirá o recuo das cotações. Com a boa safrinha e exportações em queda, a Conab calcula, também, que o estoque de passagem para 2009 deve ficar em 9,5 milhões de toneladas, o maior da história do setor, contribuindo para que os preços retornem aos patamares históricos. RecuoNa região de Sorocaba, interior de São Paulo, o preço do milho colocado nas granjas recuou de R$ 28,50 em meados de julho para R$ 25,50 na última segunda-feira. Para o produtor, nas lavouras da região de Itapeva, o preço caiu de R$ 26,50 para R$ 22. Alguns produtores tinham conseguido vender até a R$ 28, segundo o agrônomo Vandir Daniel da Silva, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento paulista. O proprietário da Granja Roseira, Alcides Pavan, atribui a redução nas exportações brasileiras à queda na cotação internacional da commodity. O preço do milho caiu na Bolsa de Chicago e a venda no mercado interno se tornou mais atraente, segundo ele. Importante produtora de suínos e aves da região de Laranjal Paulista, a Roseira não é auto-suficiente em milho e recorre ao mercado para se abastecer. "Chegamos a pagar até R$ 30 a saca, mas agora estamos comprando por R$ 25,50, posto na granja." Pavan espera que o preço se mantenha nesse patamar. "Se cair muito, desestimula o produtor." Já o encarregado da granja de suínos da Associação Anália Franco em Itapetininga, Paulo César Pires, acompanha sem preocupação a queda no preço do milho. A granja é abastecida com produção própria do grão. "Temos um estoque de 20 mil sacas, suficientes para manter o criatório com 1.600 suínos até a próxima safra."   (Colaborou Tânia Rabello)var keywords = "";

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