Mercado antecipou eventual alívio quantitativo nos EUA, diz Meirelles

Apesar de ter descartado novas medidas em breve, presidente do BC deixou claro que o governo continua a postos para agir se necessário

Luciana Xavier, da Agência Estado,

26 de outubro de 2010 | 14h58

Após negar que novas medidas cambiais possam ser adotadas em breve no Brasil, caso o Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) não surta o efeito desejado sobre o câmbio, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, deixou claro que o governo continua a postos para agir se necessário. Ele disse ainda acreditar que o mercado já antecipou uma eventual segunda rodada de afrouxamento quantitativo nos Estados Unidos pelo Federal Reserve (Fed) na próxima semana, que é a preocupação que paira no momento entre os investidores.

O próprio Meirelles tem repetido o mantra sobre quão negativo para emergentes, como o Brasil, tem sido a política do Fed de injetar mais dólares na economia, fortalecendo mais outras moedas e acirrando a guerra cambial. "O mercado antecipou parte ou toda, nós não sabemos, desse afrouxamento quantitativo. Se ele for adotado de verdade, teremos que checar a reação do mercado para ver quanto disso foi antecipado. Tendo dito isso, no Brasil estamos sim experimentando fluxo importante como resultado do alto nível de liquidez nos EUA e outras economias" , afirmou Meirelles a jornalistas após participar da conferência The Buttonwood Gathering, da Revista The Economist, em Nova York.

"A questão é manter o equilíbrio da economia. Não permitir que esse excesso de liquidez crie desequilíbrios que estão se mostrando tão negativos, criando tantas perdas para tantos países. Meirelles ressaltou que, no caso do Brasil, o BC tem adotado políticas para esterilizar a liquidez externa adquirindo reservas, comprando dólares no mercado, além de fortalecer as regras domésticas para evitar que a liquidez externa gere excesso de liquidez no mercado de crédito no Brasil." Essa é a parte mais perigosa da equação. Você tem uma bolha, que é gerada basicamente pela expansão do crédito. Estamos tomando todas as medidas necessárias para evitar isso", disse.

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