Mercado de carros de luxo fica estagnado no Brasil

Mercado de carros de luxo fica estagnado no Brasil

Fábricas da Audi, BMW, Land Rover e Mercedes-Benz têm capacidade para produzir 102 mil veículos ao ano, mas nunca chegaram perto desse volume

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

08 Fevereiro 2019 | 17h39

As vendas das quatro fabricantes de automóveis de luxo no Brasil praticamente ficaram estáveis em 2018, com 38,9 mil unidades comercializadas ante 39 mil no ano anterior, uma diferença negativa de 0,3%. O resultado se contrapõe ao mercado total de automóveis, que no período cresceu 13%, para pouco mais de 2 milhões de unidades.

Com isso, as fábricas da Audi, BMW, Land Rover e Mercedes-Benz continuam operando com ociosidade acima de 60%. Inauguradas entre 2014 e 2016, as quatro juntas têm capacidade para produzir 102 mil veículos ao ano mas nunca chegaram perto desse volume.

Insegurança dos consumidores, câmbio, receio do desemprego e preços altos são apontados como responsáveis pelo fraco desempenho do segmento que quase sempre é descolado do mercado total.

Nos anos de 2014 e 2015, quando as vendas totais de carros despencaram, o segmento de luxo cresceu cerca de 20%. Assim como levou mais tempo para entrar na crise, o mercado premium também está mais lento na recuperação. 

A líder em vendas no segmento, a Mercedes-Benz, vai lançar 20 veículos neste ano, entre modelos inéditos e novas versões com mudanças estéticas e de motorização. No ano passado o número de novidades ficou próximo a 30. A empresa projeta crescimento de 10% nas vendas deste ano, depois de registrar queda de 2,9% em 2018.

“Sempre acreditamos no Brasil e achamos que o mercado local vai retomar o crescimento, só não sabemos exatamente quando”, diz Britta Seeger, membro da direção da Daimler AG, dona da Mercedes-Benz. Há dois anos, ela é responsável pela área de vendas e marketing da marca.

Ociosidade

Britta afirmou que a fábrica de Iracemápolis (SP), que hoje produz os modelos Classe C e GLA, é flexível e poderá produzir qualquer modelo da marca, dependendo da demanda dos consumidores. Ela não adiantou, contudo, se há algum novo projeto em estudo no momento.

Os dois modelos são responsáveis por 50% a 60% das vendas da marca no País – entre 6 mil e 7,3 mil das 12,1 mil unidades comercializadas no ano passado. Como a empresa não exporta, a ociosidade na fábrica é elevada ante uma capacidade produtiva de 20 mil veículos ao ano.

As vendas da Mercedes ficaram 2,7% abaixo do volume de 2017. A BMW vendeu 11.375 veículos, 

alta de 11,9% em comparação ao ano passado. A Audi – que completa o trio de montadoras alemãs –, registrou queda de 12,4% nas vendas, para 8.677 unidades. Já a Land Rover cresceu 4,3%, totalizando 6.574 unidades.

Somando todas as marcas de luxo que atuam no País, entra as quais Volvo, Jaguar e a superluxuosa Ferrari, as vendas totais do segmento somam pouco mais de 40 mil unidades.

Transformação

Em visita ao Brasil nesta sexta-feira, Britta informou que, globalmente, a Mercedes-Benz está focando seus desenvolvimentos em conectividade, eletrificação, compartilhamento e autonomia para acompanhar “a maior transformação da história” que ocorrerá no setor ao longo dos próximos anos. As concorrentes seguem o mesmo caminho.

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