Ricardo Telles/Divulgação
Ricardo Telles/Divulgação

Mercado de fusões e aquisições ignora calendário eleitoral

Compra da Fibria pela Suzano e possível união da Embraer com a Boeing indicam apetite de investidores por ativos no mercado brasileiro

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

20 Março 2018 | 14h59

Os sinais de retomada da economia brasileira deverão se sobressair à volatilidade do período eleitoral e manter aquecido o mercado de fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês) no Brasil neste ano. Um peso importante na balança tem sido o retorno do apetite bancário em financiar as transações, o permite que mais operações - e de grande porte - comecem a ser discutidas.

"O ano começou com uma atividade muito forte. Os investidores, tanto os tradicionais mais acostumados com Brasil e outros mais recentes, como os chineses e latino-americanos, estão atentos ao que está acontecendo na economia e na tendência de recuperação", afirma o sócio da área de M&A do BTG Pactual, Bruno Amaral.

+ Suzano compra Fibria e cria gigante global de celulose com valor de R$ 84 bi

Além dos projetos de concessões e privatizações que estão na agenda do governo, a compra da Fibria pela Suzano, em uma operação competitiva de R$ 40 bilhões, e a possível união da brasileira Embraer com a americana Boeing, trazem à tona movimentos de consolidação no mercado e apetite de investidores por ativos no mercado brasileiro. O negócio entre Suzano e Fibria foi possível, ainda, por conta de um financiamento bancário de US$ 9,2 bilhões.

Para Amaral, do BTG, os riscos provenientes do ambiente político seguem no radar, mas a trajetória vislumbrada para a economia brasileira tem se sobressaído e mantido elevado o apetite dos investidores. "Hoje, essa (eleição) é uma preocupação menor, visto que já começa a se delinear de forma mais concreta a eleição de um candidato de centro", pondera.

+Aquisições e fusões devem movimentar a Bolsa em 2018

A percepção é de que as operações estratégicas, como foi o caso da transação entre Suzano e Fibria, têm olhar de longo prazo e, por isso, o ano eleitoral não deve trazer efeitos. "Nesse caso, as oportunidades no mercado é que são os fatores preponderantes", afirma o coordenador do subcomitê de Fusões e Aquisições da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), Dimas Megna.

A sócia da área de M&A do escritório Trench Rossi Watanabe, Lara Schwartzmann, lembra que os movimentos de consolidação vinham desde os últimos anos, com as empresas aproveitando o momento de economia fraca para unirem suas atividades. "Os investidores que conhecem o Brasil vão continuar investindo. O ano de 2017 foi bom e vemos que tem apetite em 2018", disse.

+ Petrobrás decide hibernar fábricas de fertilizantes em Sergipe e na Bahia

Por outro lado, o executivo da Anbima diz que as eleições desse ano podem ter algum tipo de impacto, mas que se restringe basicamente ao calendário das operações. "Indicadores macroeconômicos estão mais fortes e esperamos nível de atividade contínuo. Nossas perspectivas são positivas com o ambiente favorável para o negócio", disse. Segundo ele, setores como o de infraestrutura e de óleo e gás seguem como destaque do ponto de vista de atrair interesse dos investidores.

Na assessoria de M&A Condere, a expectativa é de que as transações cresçam, ao menos, 20%. "Estamos muito otimistas para o ano, com as atuais taxas de juros e melhor cenário econômico", afirma o sócio-diretor da consultoria, Paulo Cury. Até o fim do primeiro semestre, Cury projeta que ao menos quatro operações sejam fechadas. A casa possui, neste momento, cerca de 20 mandatos em curso.

+ Hapvida mira expansão e tem plano para IPO de R$ 3,5 bi em abril

O sócio da área de Direito Societário e M&A do escritório BMA, Carlos Frederico Lucchetti Bingemer, destaca que apesar dos desafios inerentes à pauta política no Brasil, a liquidez externa e fundos de private equity capitalizados devem impulsionar os negócios ao longo deste ano. "O mercado de infraestrutura continua sendo a bola da vez e há muito espaço para investimento estrangeiro", afirma.

No ano passado, o volume de operações de fusões e aquisições somou R$ 138,4 bilhões, em 143 operações. A maior operação de M&A em 2017 foi, inclusive, no setor de papel e celulose, com a venda da Eldorado Brasil para a Paper Excellence.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.