Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Mercado doméstico brasileiro tem potencial para ser o 3º do mundo, diz diretor IATA

O País deve recuperar em breve o patamar de mercado de 2019, de acordo com previsão da entidade do setor aéreo

Juliana Estigarríbia, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2022 | 12h09

Mesmo após um retrocesso de 10 anos na demanda doméstica do setor aéreo no País, o diretor-geral da Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA, na sigla em inglês) no Brasil, Dany Oliveira, está confiante de que a retomada será acelerada. Para o dirigente, o mercado doméstico brasileiro tem plenas condições de se tornar o terceiro maior do mundo.

Em 2021, a demanda doméstica global (medida em passageiro-quilômetro pago) foi 28,2% menor do que em 2019, nível pré-pandemia, de acordo com dados divulgados nesta terça-feira, 25, pela entidade. O Brasil acompanhou essa média, encerrando o período com queda de 27,2% na mesma base de comparação.

Com esse resultado, o mercado doméstico no País voltou aos níveis de meados de 2010. No entanto, Oliveira pondera que o setor aéreo deve recuperar em breve o patamar de 2019, que foi recorde para o Brasil no segmento doméstico. Para ele, o País tem grande potencial nesse mercado devido à sua grande dimensão territorial,  à economia relevante e à população de 200 milhões de habitantes. 

Atualmente, os Estados Unidos lideram o ranking de maiores mercados domésticos do mundo, seguido de China, Rússia, Índia e Brasil. Oliveira salienta que, para a aviação brasileira subir nessa lista, o País precisa fazer sua lição de casa. "Precisamos trabalhar urgentemente para remover as ineficiências do sistema, como excesso de judicialização e alto preço do combustível. Se conseguirmos resolver estes e outros pontos, em uma janela de 20 anos o Brasil terá total condição de quase quintuplicar o tamanho do seu mercado", disse o dirigente em entrevista ao Broadcast.

Para ele, os fundamentos do mercado aéreo brasileiro não foram alterados pela alta súbita recente de casos de covid-19. "Não há evidências de mudança na curva de crescimento do setor de aviação no País mesmo com os efeitos da Ômicron."

A avaliação do dirigente ocorre em meio a cancelamentos de voos no Brasil devido ao aumento das licenças médicas por casos de covid-19 e influenza entre tripulantes de companhias aéreas. Contudo, ele afirma que o sistema já está se acomodando. "Sem os dados consolidados de janeiro, ainda não é possível afirmar se a recuperação vai atrasar ou não, mas acreditamos fortemente na resiliência do mercado doméstico."

Oliveira reforça que as companhias aéreas têm protocolos rígidos de testagem e praticamente 100% das tripulações estão vacinadas no Brasil. "Temos acompanhado que o pico dos cancelamentos de voos por esse motivo está ficando para trás". Em sua visão, a flexibilização do número de tripulantes a bordo nas principais companhias aéreas do País - autorização publicada pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) na semana passada - contribui para estabilizar este cenário.

Internacional

As companhias aéreas ainda devem continuar enfrentando grandes desafios no segmento internacional, cuja demanda global recuou, em 2021, 75,5% em relação a 2019. "Apesar da recuperação do setor, a demanda internacional está muito longe dos níveis de 2019, ainda há muito a se fazer", disse a jornalistas o diretor-geral da IATA, Willie Walsh.

Ele observa que, diante das restrições adotadas por alguns países para conter o avanço da Ômicron, as companhias aéreas também têm sofrido impactos no segmento doméstico."Os cancelamentos de voos de longo curso também impactam os voos curtos. É preciso organização e coordenação para resolver este problema", avaliou Walsh. Adicionalmente, o preço do combustível de aviação deve continuar sendo uma pedra no sapato do setor. "Este vai ser um ponto de atenção para as companhias aéreas em 2022."

Em meio a tantos altos e baixos, o único segmento que segue registrando alta consistente é o de cargas. A demanda (medida em toneladas por quilômetro) em 2021 superou em 7% o volume de 2019, nível pré-pandemia. Em relação a 2020, houve um avanço de 18,7%. Já a oferta de carga ficou 10,9% abaixo de 2019, com a capacidade ainda restrita diante de gargalos nos principais hubs do mundo.

 

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