Mercado eleva projeção para a inflação de 2010 para 5,10%

É o nono aumento consecutivo da previsão para o IPCA, o que afasta ainda mais as estimativas do centro da meta de inflação para o ano de 4,5%

Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

22 de março de 2010 | 08h57

O mercado financeiro elevou pela nona semana consecutiva a projeção para o IPCA em 2010, cuja mediana passou de 5,03% para 5,10%, segundo a pesquisa Focus, divulgada há pouco pelo Banco Central. Há um mês, essa estimativa estava em 4,86%. Com as seguidas elevações da projeção, a expectativa dos analistas para o índice oficial de inflação se afasta ainda mais do centro da meta para o ano, de 4,50%.

Para 2011, as previsões seguiram a mesma trajetória e a mediana das expectativas passou de 4,60% para 4,70%, na segunda alta seguida. Há quatro semanas, o número previsto estava exatamente no centro da meta de inflação para o ano que vem, de 4,50%.

Entre as instituições que mais acertam as projeções na pesquisa do Banco Central, o chamado Top 5, a previsão para o IPCA em 2010 manteve-se em 5,04%. Para 2011, no entanto, a estimativa subiu de 4,50% para 4,60%. Há quatro semanas, esse grupo de analistas previa alta de 4,87% e 4,50% para cada um dos anos, respectivamente.

Entre todos os analistas consultados, a previsão para o IPCA em março de 2010 subiu de 0,40% para 0,44%, na terceira elevação consecutivo. Para abril, a previsão passou de 0,38% para 0,39%, na segunda alta seguida. Há um mês, esses números estavam em 0,35% para os dois meses.

Na mesma pesquisa, a estimativa para o IPC da Fipe em 2010 subiu de 5,41% para 5,49% ante 5,26% de quatro semanas atrás. Para 2011, a estimativa para o índice manteve-se em 4,50% pela nona semana seguida.

 

O mercado financeiro elevou pela décima semana consecutiva as previsões para os IGPs deste ano na pesquisa Focus, divulgada há pouco pelo Banco Central. No levantamento, a mediana das estimativas para o IGP-DI no fim de 2010 foi elevada de 6,24% para 6,74%. Para o IGP-M, que reajusta alguns contratos como os aluguéis, a projeção saltou de 6,38% para 6,50%, ante 5,30% de um mês atrás.

 

Juro e PIB

 

Na primeira pesquisa Focus realizada após a reunião de março do Comitê de Política Monetária (Copom), o mercado financeiro manteve a previsão de que o juro básico da economia, a taxa Selic, deve começar a subir no encontro de abril, que acontece nos dias 27 e 28. Para os analistas, a taxa deve subir 0,50 ponto porcentual e, assim, atingir 9,25% ao fim do próximo encontro do Comitê.

 

Nas reuniões seguintes, o mercado espera outras altas, com o juro em 9,75% em junho (ante 10% da pesquisa anterior), 10,25% em julho (10,38% da última pesquisa), 10,75% em setembro e 11,25% em outubro. A previsão para os dois últimos meses não teve alteração em relação à pesquisa da semana anterior. Após a reunião de outubro, o mercado prevê juro estável no último encontro do Copom no ano, em dezembro, e desta forma a Selic terminaria 2010 em 11,25%.

 

Para o fim de 2011, analistas ajustaram a estimativa para o patamar da taxa básica e a mediana subiu de 11% para 11,10% ante 11% de quatro pesquisas atrás.

 

Na pesquisa, foi reduzida a estimativa para a Selic média no decorrer de 2010, de 10,16% para 10,08%. Para 2011, a estimativa de juro médio manteve-se em 11,20%. Há um mês, essas previsões eram respectivamente, de 10,06% e 11,16%.

 

Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), o Banco Central também trouxe elevação da estimativa de crescimento. A mediana das previsões para 2010 subiu de 5,45% para 5,50%. Há quatro semanas, essa expectativa era de crescimento de 5,50%. Para 2011, foi mantida a previsão de que a economia deve ter expansão de 4,50%, número repetido há 15 semanas.

 

Na avaliação do mercado, o crescimento da economia em 2010 deverá ser liderado pela atividade industrial, cuja previsão de expansão neste ano foi elevada de 8,74% para 8,79%, superior à estimativa de 8,41% observada há quatro semanas. Para 2011, o mercado manteve a previsão de avanço de 5%, ante 4,95% de um mês atrás.

 

Na mesma pesquisa, analistas mantiveram a estimativa para o nível da dívida líquida do setor público em relação ao PIB neste ano em 41,50%. Um mês antes, a previsão estava em 41,70%. Para 2011, a estimativa caiu de 39,80% para 39,60%, ante 40,30% de quatro semanas antes.

 

Dólar

 

A mediana das previsões para a cotação da moeda norte-americana em relação ao real no fim deste ano foi ajustada de R$ 1,81 para R$ 1,80. Quatro semanas atrás, a estimativa era de R$ 1,80. Para 2011, a previsão para a taxa de câmbio no fim do ano que vem subiu de R$ 1,85 para R$ 1,87. Há um mês, as estimativas dos analistas estavam em R$ 1,85.

 

A previsão para o déficit da conta de transações correntes do balanço de pagamentos em 2010 melhorou ligeiramente. De acordo com levantamento semanal feito pelo Banco Central, a mediana das estimativas para o saldo negativo em conta corrente neste ano foi reduzida de US$ 51 bilhões para US$ 50 bilhões. Há um mês, o mercado esperava déficit de iguais US$ 50 bilhões.

 

Para 2011, a previsão de resultado negativo das contas externas seguiu em US$ 60 bilhões. Quatro semanas antes, a estimativa de déficit estava em US$ 56,41 bilhões.

 

No comércio exterior, a estimativa para o superávit da balança comercial em 2010 foi mantida em US$ 10 bilhões pela oitava semana consecutiva. Para o próximo ano, a previsão de superávit manteve-se em US$ 2,5 bilhões, ante US$ 1,6 bilhão de um mês atrás.

 

Já a mediana das expectativas para a entrada de Investimento Estrangeiro Direto (IED) foi mantida em US$ 38 bilhões para 2010 e em US$ 40 bilhões para 2011. Nos dois casos, o número é repetido há oito semanas.

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