Mercado espera decisão do Fed sem surpresas

Taxa básica de juro deve ser mantida próxima a zero e recompra de papéis do Tesouro deve ficar no limite definido originalmente, em junho

Denise Chrispim Marin, correspondente de O Estado de S. Paulo,

27 de abril de 2011 | 09h45

O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, decide hoje se continuará a manter a taxa básica de juros próxima a zero e o destino de sua política de recompra de títulos públicos. Tratam-se das principais medidas monetárias adotadas desde o final de 2008 para salvar a economia americana da recessão e para dar-lhe maior impulso.

Em alta no mundo todo, os mercados apostavam ontem na preservação da frouxidão monetária pelo Fed. Porém, não anteviam a extensão da recompra dos papéis do Tesouro americano além do limite definido originalmente, de junho próximo.

A reunião será marcada pelo rompimento de uma tradição do Fed. Pela primeira vez desde 1913, quando o Federal Reserve foi criado pelo Congresso americano, o presidente da instituição dará uma entrevista coletiva para apresentar os resultados da reunião de dois dias de duração e para submeter-se a perguntas da imprensa.

No posto desde o início de 2006, Ben Bernanke deverá repetir o novo protocolo ao final dos quatro encontros anuais do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), que reúne representantes do Fed e de bancos centrais estaduais do país.

Expectativa

De acordo com a agência Reuters, as principais bolsas de valores do mundo fecharam com a maior alta dos últimos três anos por causa da expectativa de preservação da taxa de juros americana de curto prazo próxima a zero, como é mantida desde dezembro de 2008. O movimento positivo também refletiu a previsão de continuidade, até junho, do mecanismo de injeção de US$ 600 bilhões na economia do país, por meio da recompra de títulos do Tesouro.

Chamado de QE2 (segundo afrouxo quantitativo), esse programa e os juros baixos afastaram o risco de deflação e estimularam a retomada de investimentos no mercado de ações e em outros ativos com maior risco e melhor retorno do que os papéis do Tesouro.

Entre novembro de 2008 e março de 2010, com o QE1, o Fed havia recomprado US$ 1,7 trilhão em títulos do Tesouro e em dívida imobiliária. Por enquanto, não é esperado um QE3.

Na decisão do Fomc, pesarão os fatos de a economia americana não ter expandido como o esperado no primeiro trimestre e de a inflação continuar baixa, apesar do aumento nos preços dos combustíveis e de alimentos. Não haveria, portanto, razão para o aumento nos juros e a suspensão do programa QE2 antes do previsto.

Frustração

A expectativa de crescimento da economia americana próximo a 3% deverá ser frustrada por um porcentual de cerca de 2%, a ser divulgado pelo Departamento de Comércio na sexta-feira.

Bernanke deverá também apresentar as novas previsões do Fed sobre a expansão da atividade americana em 2011, antes de 3,4% a 3,9% e dos índices de preços ao consumidor.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) aposta em 2,5% de crescimento e em uma inflação de 1,25% no final deste ano.

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