Marcos Arcoverde/Estadão
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Mercado espera que Vale tenha prejuízo de US$ 3,68 bilhões no 3º trimestre

Resultado é mais do que o dobro do prejuízo anotado no mesmo período em 2014; empresa vai reverter lucro do trimestre anterior

Fernanda Guimarães, O Estado de S. Paulo

20 Outubro 2015 | 19h21

SÃO PAULO - A Vale deverá encarar mais um resultado trimestral no vermelho diante do ciclo de deterioração dos preços das commodities. Nessa esteira, a mineradora brasileira deverá reportar prejuízo líquido de US$ 3,68 bilhões no terceiro trimestre do ano, mais do que o dobro do prejuízo anotado no mesmo intervalo de 2014 e reverterá, com isso, lucro visto no trimestre imediatamente anterior, a despeito do forte trabalho em redução de custos e maiores volumes de produção que vem sendo registrados na companhia.

O prejuízo que deve ser reportado também refletirá a valorização do dólar em relação ao real em um período no qual a taxa de câmbio avançou quase 30%, trazendo efeito não caixa por conta da dívida atrelada ao dólar. Com menor geração de caixa, a alavancagem da mineradora deverá manter trajetória de alta, corroborando com a tese de que a mineradora não deverá pagar dividendos em 2016.

Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado esperado soma US$ 1,72 bilhão no intervalo de julho a setembro, queda de 43% em relação ao visto um ano antes e recuo de 23% na comparação com o observado no trimestre imediatamente anterior, de acordo com a média de dez instituições financeiras consultadas pelo Broadcast (BTG Pactual, Citi, Credit Suisse, JPMorgan, Haitong, HSBC, Nomura, RBC Capital Markets e GBM). Já a receita operacional líquida ficou em US$ 6,821 bilhões, ainda conforme a médias das estimativas, retração de 25% na relação anual e queda de 2% na comparação trimestral.

A expectativa dos analistas de mercado que acompanham a empresa é que a Vale siga no caminho de corte de custos e busca de mais eficiência para atravessar o ciclo de baixa do minério de ferro, até que o projeto Serra Sul, o S11D, passe a contribuir para os ganhos da empresa na medida que o minério a ser explorado será de melhor qualidade e maior margem.

Com atenção a sua estratégia, por exemplo, a Vale cortou no terceiro trimestre 13 milhões de toneladas menos rentáveis, considerando o volume anualizado. "No entanto, os ganhos de produtividade em outras operações parcialmente compensaram a paralisação da produção nas plantas de beneficiamento", destacou a companhia no documento.

Tendo em vista a corrida da mineradora brasileira em buscar controle de despesas, o Citi projeta que, no intervalo, a redução do custo em minério de ferro deverá ser de US$ 4 a tonelada em relação ao trimestre imediatamente anterior. "A maior fraqueza será na divisão de metais básicos dada a queda dos preços do níquel e cobre. Os resultados irão incluir uma perda não caixa após passada a dívida denominada em dólar para o real", destacam em relatório os analistas Alexander Hacking e Thiago Ojea, que estimam essa perda não caixa em R$ 8 bilhões.

O JPMorgan destaca que a deterioração do Ebitda da Vale por conta dos preços fracos de minério de ferro, níquel e cobre irá equilibrar os ganhos de custos observados pela empresa por conta da taxa de câmbio e aumento de produção no período. Além disso, o analista que assina o documento, Rodolfo Angele, afirma que a dívida líquida da mineradora deverá ser menor por conta da emissão de ações preferenciais emitidas na operação envolvendo a MBR, subsidiária da mineradora. A venda feita para um fundo do Bradesco BBI envolveu uma fatia de 36,4% por R$ 4 bilhões. No entanto, o profissional espera aumento da alavancagem medida pela razão da dívida líquida sobre o Ebitda por conta da menor geração de caixa.

O Credit Suisse aponta que a administração da Vale tem conseguido manter as margens apesar do ambiente desafiador, mas que os preços baixos do minério de ferro e dos metais básicos seguirão pesando nos resultados da empresa em 2016 e 2017.

No terceiro trimestre a Vale apresentou produção própria de minério de ferro recorde para um trimestre, de 88,225 milhões de toneladas no trimestre, alta de 2,9% em relação ao visto no mesmo intervalo do ano passado, o que não foi suficiente, por outro lado, para compensar a queda dos preços do insumo.

Já no acumulado do ano até setembro, a produção total, que inclui compra de terceiros, foi de 257,468 milhões de toneladas, alta de 4,9% ante o observado no mesmo período do ano anterior. Com esse desempenho a mineradora garantiu o cumprimento de 75,7% da meta estabelecida para o ano, de 340 milhões de toneladas.

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