Mercado global de açúcar dependerá cada vez mais do Brasil, diz pesquisa

País será responsável pela metade das 90 milhões de toneladas necessárias para suprir a nova demanda por açúcar

Ana Conceição, da Agência Estado,

26 de outubro de 2010 | 10h59

O mercado mundial de açúcar dependerá cada vez mais da produção brasileira, de acordo com relatório especial divulgado nesta terça-feira, 26, pela britânica Czarnikow, uma das mais antigas tradings a atuar no Reino Unido. Pesquisa feita pela empresa mostra que o aumento da demanda dos países emergentes fará com que o consumo global de açúcar cresça 50% nos próximos 20 anos, de atuais 168 milhões de toneladas, para 257 milhões de t em 2030.

Metade das 90 milhões de toneladas necessárias para suprir essa nova demanda será produzida no Brasil, já o maior fornecedor mundial, calculou a Czarnikow em seu relatório, divulgado durante a London Sugar Week, evento tradicional do setor realizado na capital britânica. "Há um entendimento de que o mercado de açúcar está se tornando cada vez mais dependente do Brasil, na medida em que oferta e preços parecem inexoravelmente ligados às ambições e limitações do maior produtor mundial."

Emergentes da Ásia serão responsáveis por quase metade do crescimento da demanda mundial até 2030, praticamente dobrando o consumo nos próximos 20 anos. Em 2014, a demanda na China vai superar a da União Europeia (UE). "Nas próximas duas décadas, a demanda global vai disparar em linha com a crescente riqueza das nações em desenvolvimento", disse Toby Cohen, chefe de análise da trading.

A pesquisa surge em um momento de crescente preocupação de vários países com a segurança alimentar. A Organização para Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO) prevê que a produção mundial de alimentos terá que aumentar 70% nos próximos 30 anos para alimentar 9,1 bilhões de pessoas em 2050. A demanda por alimentos em regiões desenvolvidas como Japão e União Europeia deve estabilizar ou até mesmo cair. A África emergirá como grande consumidor, elevando sua participação global de 10% para 13%.

Por causa disso, a Czarnikow prevê que a produção de açúcar enfrentará a concorrência por terras para o cultivo de produtos como milho e arroz, o que forçará um aumento de preços. E enquanto muitos países na Ásia, Europa e África concentrarão esforços em aumentar a produção para o consumo doméstico, apenas o Brasil terá terras e recursos suficientes para atender a crescente demanda mundial, avaliou. As informações são da Dow Jones.

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