Mercado prevê taxa básica de juros estável em 2012 e alta em 2013

Depois do corte na Selic, mercado financeiro avalia que preços em alta exigirão aumento do juro em 2013 para conter a inflação, segundo pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira

Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

23 de abril de 2012 | 09h20

BRASÍLIA - Apesar do comunicado divulgado após a reunião da semana passada do Comitê de Política Monetária (Copom) ter levantado a hipótese em parte do mercado financeiro de que o corte nos juros básicos poderia continuar, a mediana das estimativas para o patamar da taxa Selic em maio seguiu em 9% pela sexta semana consecutiva. A previsão, portanto, indica aposta em estabilidade do juro que atualmente já se encontra nesse patamar.

A partir deste momento, a taxa seguiria nesse mesmo patamar até o fim do ano para terminar 2012 em 9%. Ou seja, sem alteração nas reuniões de julho, agosto, outubro e novembro. A previsão é mantida pela sexta semana consecutiva, segundo a pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira pelo Banco Central.

Mas, para 2013, o mercado prevê que os preços em alta deverão exigir aumento do juro para conter a inflação. No próximo ano, o aumento da Selic começaria em abril, quando a taxa passaria para 9,50%. Depois, haveria outra alta, com Selic indo a 9,75%. O ciclo terminaria em julho com elevação para 10%. Dessa forma, o mercado espera que a taxa básica da economia retome a trajetória de alta no próximo ano até terminar dezembro de 2013 em 10% ao ano, com alta de 1 ponto porcentual.

Inflação

O mercado financeiro não alterou suas projeções para o comportamento da inflação em 2012 e em 2013. No levantamento, a mediana das expectativas para o IPCA neste ano seguiu em 5,08%, mesma estimativa observada na pesquisa anterior e abaixo do visto há um mês, quando o mercado aguardava alta de 5,28% na inflação.

Para 2013, os números também não foram alterados e analistas esperam aceleração dos preços, com a inflação oficial em 5,50%, previsão repetida pela sexta semana consecutiva.

Nada mudou também nas estimativas do grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções, o chamado Top 5 da pesquisa Focus. Nesse grupo, a previsão para o IPCA em  2012 no cenário de médio prazo seguiu em 4,91%, abaixo da estimativa de todo o mercado. Para 2013, a previsão dos cinco analistas manteve-se em 5,40%. Há um mês, o grupo apostava em alta de 5,30% e 5,10% para cada ano, respectivamente.

PIB

O mercado financeiro fez um ligeiro ajuste para cima nas estimativas para o desempenho da economia brasileira em 2012. A mediana das projeções para o crescimento em 2012 avançou de 3,20% para 3,21%. Para 2013, porém, a aposta foi em trajetória contrária e caiu de 4,30% para 4,25%. Um mês antes, as estimativas eram de expansão de 3,23% neste ano e de 4,29% no próximo ano.

Parte da melhora da previsão para a economia brasileira em 2012 pode ser atribuída ao desempenho industrial. Na pesquisa, a projeção para o crescimento do setor em 2012 aumentou de 2% para 2,02%. Para 2013, economistas preveem ritmo maior, com avanço industrial de 4%, número repetido há quatro semanas. Um mês antes, a pesquisa apontava estimativa de expansão de 2,03% neste ano e também de 4% no próximo ano.

Analistas elevaram ainda a previsão para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB em 2012, de 36,15% para 36,20%. Para 2013, a projeção também subiu, de 34,70% para 35%. Há quatro semanas, as projeções estavam em, respectivamente, 36,20% e 35% do PIB para cada um dos dois anos.

A previsão de déficit em transações correntes foi elevada. A mediana das expectativas de saldo negativo na conta corrente neste ano aumentou de US$ 68,63 bilhões para US$ 69 bilhões, mesmo patamar previsto há um mês. Para 2013, a previsão de déficit nas contas externas aumentou de US$ 72 bilhões para US$ 75 bilhões. Quatro semanas antes, analistas esperavam déficit em transações correntes de US$ 70 bilhões no próximo ano.

Na mesma pesquisa, economistas elevaram a estimativa de superávit comercial em 2012, de US$ 19 bilhões para US$ 19,20 bilhões. Para 2013, a expectativa de saldo comercial positivo do Brasil manteve-se em US$ 14,70 bilhões, ante US$ 15 bilhões esperados um mês antes.

Câmbio

Após quatro altas seguidas, o mercado financeiro manteve a previsão de que o dólar deve terminar o ano em R$ 1,80. A pesquisa Focus mostra que a mediana das estimativas para o preço da moeda estrangeira no fim de 2012 estacionou em R$ 1,80. Para o fim de 2013, também foi mantida a expectativa de taxa de câmbio em R$ 1,80. Há um mês, analistas previam dólar a R$ 1,76 no fim de 2012 e de R$ 1,80 no encerramento de 2013.

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