Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Mercado residencial revê planos

Expectativa para este ano é de menos lançamentos e juros maiores no financiamento; incorporadoras vão focar trabalho nas vendas

Aline Bronzati, O Estado de S. Paulo

17 Abril 2015 | 05h00


O ano de 2015 deve ser o mais difícil que o mercado imobiliário residencial já enfrentou nos últimos anos, com redução de lançamentos. Como pano de fundo, além dos juros maiores e a fraqueza da economia, os preços estão estáveis, em meio à desaceleração da demanda, o que desagrada os investidores. 

Assim como o Produto Interno Bruto (PIB), o segmento também deve encolher. A estimativa do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) é de retração de 5,5% neste exercício em relação a 2014, com o corte de cerca de 350 mil vagas na construção civil. “Teremos redução de lançamentos neste ano e 2016 ainda é uma incógnita. As construtoras vão equacionar estoques”, afirmou o presidente da construtora Even, Carlos Terepins, no Summit Imobiliário Brasil 2015.

A própria Even não pretende fazer novos lançamentos neste semestre, após anunciar sete empreendimentos no último trimestre de 2014, num valor geral de vendas superior a R$ 1 bilhão. Nas demais construtoras, a tônica deve ser a mesma. Algumas já fizeram lançamentos neste ano e vão se debruçar nas vendas, enquanto outras preferiram colocar o pé no freio e trabalhar os estoques.

Além do cenário econômico, de juros e inflação altos e aumento do desemprego, um tripé negativo para a demanda, o número de apartamentos à venda cresce também impulsionado pelo crescimento dos distratos. De outubro a dezembro, a maioria das construtoras de capital aberto apresentou piora no indicador.

Na opinião de João Paulo de Matos, presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-RJ), é hora de cautela no mercado imobiliário. As construtoras, segundo ele, precisam fazer diferença para enfrentar esse período. No Rio de Janeiro, de acordo com o especialista, a situação é agravada pelo impacto da Operação Lava Jato, que apura denúncias de cartel e corrupção na Petrobrás. Isso porque como algumas empresas tiveram sua produção atingida reduziram o quadro de colaboradores na região com impacto direto na demanda por imóveis. 

O número de lançamentos no Rio de Janeiro em 2014 diminuiu 20% ante o ano imediatamente anterior, para 16.970. Em unidades vendidas, a queda foi ainda maior, de 40%, totalizando 7,937 mil. Apesar dos números do ano passado já antecederem um 2015 desafiador, Matos acredita em uma recuperação no exercício que vem. “Em 2015, vamos poder retomar de alguma maneira nosso mercado”, projetou ele.

Ciclos. Diante da desaceleração na demanda, excesso de estoque e um país “politicamente frágil”, o presidente da Max Casa, José Paim de Andrade, afirmou que “não é hora de jogar”, mas, de diminuir “drasticamente” os lançamentos. Ele lembrou que o mercado imobiliário vive ciclos e as construtoras precisam esperar o atual passar. 

Mais conteúdo sobre:
Summit Imobiliário Brasil 2015

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.