Mercado se adaptaria à fusão de Pão de Açúcar e Carrefour, diz Abras

Para presidente da Associação, a concentração em alguns produtos na indústria 'é extremamente forte, mas isso não impede a competição'

Rodrigo Petry, da Agência Estado,

25 de maio de 2011 | 19h08

Uma eventual fusão entre o Grupo Pão de Açúcar e o Carrefour no Brasil, levantada por reportagem do jornal francês Le Journal du Dimanche, ampliaria a concentração no setor supermercadista. Na avaliação do presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Sussumu Honda, o mercado se "adaptaria" à união de ativos de grandes varejistas. "Na indústria, a concentração em alguns produtos é extremamente forte, mas isso não impede a competição", disse.

Honda exemplificou que na Região Sul, a presença do Pão de Açúcar é tímida, com forte representatividade de supermercados de atuação local. Assim como no Sul, nas regiões Norte e Nordeste, e até em praças como o Rio de Janeiro, uma fusão entre o Pão de Açúcar e Carrefour não "alteraria o desenho de concentração" do setor. O dirigente destacou ainda que, excluídas as operações de bens duráveis do Pão de Açúcar, com as bandeiras da Casas Bahia e Ponto Frio, a concentração seria ainda menor.

Segundo a Abras, a participação das vendas das maiores empresas do setor de supermercados no Brasil, leia-se Pão de Açúcar, Carrefour e Walmart, subiu de 38%, em 2008, para 40%, em 2009, avançando para 43% no ano passado. O aumento na concentração foi impulsionado pela associação do Pão de Açúcar com a Casas Bahia. Honda avalia que, embora a concentração avance, ainda está longe da realidade na Europa, onde as cinco maiores redes respondem por 70% a 80% das vendas.

Hoje, o Pão de Açúcar enviou comunicado ao mercado descartando uma negociação com o Carrefour. De acordo com a nota, o acionista Abílio Diniz informa que "está sempre em busca de alternativas para o crescimento da companhia", mas que não existe nenhum "fato ou ato" que justifique uma divulgação ao mercado.

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