Mercedes investe R$ 1 bi em ônibus e caminhões no País

Investimento será feito até 2015 nas fábricas de Juiz de Fora e São Bernardo; empresa já havia anunciado nova fábrica de automóveis 

Cleide Silva, O Estado de S. Paulo

27 de outubro de 2013 | 22h30

SÃO PAULO - A Mercedes-Benz do Brasil anunciou ontem investimentos de R$ 1 bilhão para as fábricas de caminhões e ônibus de São Bernardo do Campo (SP) e Juiz de Fora (MG). O montante será aplicado em 2014 e 2015 em pesquisa e desenvolvimento de produtos e tecnologias, nacionalização de componentes e modernização de áreas de produção.

No início do mês, o grupo já havia anunciado R$ 500 milhões para a construção de uma fábrica de automóveis em Iracemápolis (SP), com início de operações previsto para 2016.

O anúncio deste domingo foi feito pelo presidente mundial da divisão de Caminhões, Stefan Buchner, que disse ser esse o maior investimento do grupo alemão num país atualmente. "Um em cada quatro caminhões que produzimos é feito no Brasil", informou. O País é o maior consumidor de veículos comerciais da marca, seguido pela Alemanha.

Buchner participou da apresentação das novidades que a empresa expõe no Salão Internacional do Transporte (Fenatran), que será aberto ao público nesta segunda-feira, no Anhembi.

"Nossa empresa é responsável pelo maior plano de investimentos do setor, destinando R$ 2,5 bilhões ao Brasil de 2010 a 2015, com destaque para a inauguração da nova fábrica em Juiz de Fora e o aumento da capacidade produtiva em São Bernardo", disse Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil.

A Mercedes é a maior fabricante brasileira de veículos comerciais. Em vendas, é líder no segmento de ônibus e vice-líder em caminhões. Buchner ressaltou que a meta é recuperar a liderança em caminhões, perdida para a MAN/Volkswagen há dez anos. "Pode parecer conversa mole, mas nós vamos trabalhar todos os dias para cumprir o que prometemos."

Ao todo, as principais fabricantes de caminhões e ônibus têm planos de investir cerca de R$ 5 bilhões até 2016.

A MAN segue com o plano iniciado em 2009 de aportes de R$ 1 bilhão, mas, por enquanto, desistiu de ter uma nova fábrica. "O Brasil é um dos mercados mais interessantes do mundo para nós", ressaltou o presidente mundial da MAN Caminhões e Ônibus, Anders Nielsen.

A Iveco, do Grupo Fiat, vai aplicar R$ 900 milhões no período 2012-2014 (30% de todo o aporte que a companhia fará nos mercados onde atua) e trabalha para estar entre as três maiores fabricantes do País. "A concorrência nos obriga a ser criativos, usar tecnologias mais alinhadas com o que tem lá fora e não temos medo de enfrentá-la", disse Marco Borba, vice-presidente da Iveco ao falar sobre a chegada de novas fabricantes. A marca detém hoje 9% de participação das vendas totais.

Mercado. As empresas do setor esperam para este ano um mercado de 150 mil caminhões, 12% maior que o de 2012. Para 2014, as apostas variam de estabilidade a crescimento de 6%.

Há grande ansiedade dos executivos sobre o anúncio das novas regras para o Finame, programa federal de financiamento usado em 60% a 70% das vendas do setor. Hoje, o juro mensal é de 4%, mas há receios de que essa taxa suba, o que pode mudar as previsões de vendas.

Rogelio Golfarb, vice-presidente da Ford, trabalha com um mercado próximo a 165 mil caminhões em 2014, enquanto seus pares falam em 150 mil a 160 mil. A Ford vai investir no País R$ 670 milhões até 2015.

Entre os destaques da Fenatran, que ficará aberta até sexta-feira, há o Atego Econfort, da Mercedes, primeiro semipesado a receber câmbio totalmente automatizado. A Volvo mostra o FH 16 750, o maior caminhão vendido na Europa (tem capacidade para 250 toneladas), que será importado e custará R$ 1 milhão. Também tem o primeiro caminhão movido a gás natural, enquanto a Scania expõe seu caminhão a etanol.

A DAF apresenta seu primeiro caminhão brasileiro, o XF 105, que começou a ser produzido em Ponta Grossa (PR) neste mês. A Fiat lança o Uno Furgão e a nova Fiorino, ambos feitos na plataforma do Uno, em substituição aos modelos feitos na base do Mille, que sai de linha. 

Tudo o que sabemos sobre:
Mercedes

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.