Mercedes-Benz - 19/8/2019
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Mercedes avança na reestruturação de negócios e prevê alta de 10% no mercado de caminhões

Com retomada da produção, as fábricas no País conseguem melhorar o equilíbrio entre importações e exportações, suavizando assim a exposição ao câmbio, segundo chefe de negócios de caminhões da marca

 Eduardo Laguna, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2022 | 15h09

Encerrando a visita feita ao Brasil nesta semana, Karin Rådström, chefe mundial do negócio de caminhões da marca Mercedes-Benz, disse nesta quinta-feira, 13, que a reestruturação em curso na operação do País está evoluindo com resultados satisfatórios. Ela deixou claro, no entanto, que o trabalho ainda não foi concluído.

 Apresentado em maio, o plano estratégico da Daimler, a controladora da Mercedes, para zerar perdas no Brasil tem entre seus objetivos reduzir a dependência das peças importadas e aumentar as exportações, de modo que a empresa fique menos exposta ao câmbio mais caro, junto com corte de custos - por exemplo, a redução de 10% na folha salarial de departamentos administrativos.

Karin avalia que, contando com a retomada da produção após o choque inicial da pandemia, as fábricas no Brasil estão conseguindo melhorar o equilíbrio entre importações e exportações, suavizando assim a exposição ao câmbio.

“Tivemos muito progresso e claramente houve uma melhora da situação. Mas ainda temos que dar mais passos e continuar trabalhando duro”, afirmou a executiva. “Estou muito otimista, mas ainda temos muitos desafios e ainda não terminamos [a reestruturação]”, acrescentou. A meta da Daimler Truck é ser, até 2025, um grupo automotivo onde a margem de rentabilidade é medida na casa dos dois dígitos. A recuperação dos resultados financeiros em negócios tanto do Brasil quanto da Europa está no centro desse objetivo.

Caminhões em alta

Para a direção da montadora no Brasil, o mercado de caminhões seguirá em alta neste ano, ainda que o aumento da taxa de juros possa adiar decisões de ampliação de frota das transportadoras. Se as previsões da Mercedes-Benz se confirmarem, as vendas de caminhões no Brasil, na soma de todas as marcas, alcançarão algo por volta de 140 mil unidades, com alta de 10% sobre 2021.

A confiança se baseia nas encomendas aquecidas do agronegócio, dada a necessidade de transportar a safra recorde de grãos, além da demanda vinda do comércio eletrônico, da construção civil e da mineração. As duas fábricas da montadora no País, localizadas em São Bernardo do Campo (SP) e Juiz de Fora (MG), estão funcionando em três turnos de produção.

Roberto Leoncini, vice-presidente de vendas e marketing do negócio de caminhões e ônibus da Mercedes-Benz no Brasil, ponderou, no entanto, que esse crescimento vai depender da disponibilidade de peças nas linhas de montagem. “Precisamos que a logística global funcione e nos ajude”, comentou o executivo, antecipando mais um ano de crise no abastecimento de componentes eletrônicos, gargalo responsável por paradas de montadoras em todo o mundo.

Cautela

O ano de 2021 registrou a maior crise de oferta na história da indústria automotiva. Ele foi responsável pelo terceiro pior resultado de produção desde 2004. Foram 2,25 milhões de unidades montadas em 2021, entre carros de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus. O número indica um crescimento de 11,6%, mas sobre uma base de comparação fraca.  O ano de 2020 foi marcado pela chegada da pandemia e pela paralisação total da produção no mês de abril. 

Neste ano, a Mercedes-Benz conclui o programa de investimentos de R$ 2,4 bilhões iniciado em 2018, e o novo presidente da montadora no Brasil, Achim Puchert, disse que a empresa vai aguardar os resultados dos investimentos já realizados antes de partir a um novo ciclo.

 Diante do plano da Daimler de reduzir em 15% os investimentos globais, em relação ao padrão de antes da pandemia, mirando uma alocação de capital inteligente, com foco maior em mercados e segmentos mais rentáveis, ele adiantou que a definição de novos investimentos estará condicionada à competitividade e sustentabilidade da operação brasileira frente a outros mercados.

 

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