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Mercosul terá grupo de trabalho sobre novas adesões

Grupo acompanhará os procedimentos para a incorporação do Equador como sócio pleno do bloco e para tentar acelerar a aprovação da Venezuela

Marina Guimarães, enviada especial da Agência Estado,

20 de dezembro de 2011 | 21h43

MONTEVIDÉU - O presidente do Uruguai, José "Pepe" Mujica, anunciou que os presidentes dos países sócios do Mercosul decidiram criar um grupo de trabalho para acompanhar os procedimentos para a incorporação do Equador como sócio pleno do bloco econômico e para tentar acelerar a aprovação da Venezuela, pendente de votação no Senado do Paraguai. "Temos o prazer de anunciar um acordo com os presidentes para criar uma comissão que foi nomeada pelos próprios presidentes para que atenda às possibilidades de ingresso dos países", disse Mujica, durante discurso na sessão plenária da Cúpula do Mercosul, realizada na noite desta terça-feira. "Apesar dos problemas, o Mercosul tem vários pedidos de ingresso. Sinal de que não estamos tão mal", brincou Mujica.

Há alguns dias, o presidente uruguaio apresentou uma proposta para acelerar a entrada definitiva da Venezuela, sem a obrigatoriedade de passar pela aprovação do Senado paraguaio. Pela proposta, a adesão plena de novos sócios ao Mercosul seria uma prerrogativa do Poder Executivo de cada um dos países, eliminando o poder atual do Legislativo. O Uruguai contava com o apoio da Argentina, mas com uma forte resistência do presidente do Paraguai, Fernando Lugo, que pediu expressamente aos sócios para não levar a ideia adiante, já que criaria problemas políticos internos para ele. O governo brasileiro também rejeitou a proposta por considerá-la carente de condições institucionais.

Antes de transferir a presidência pro tempore do Mercosul à Argentina, Mujica falou sobre o grau deficiente de institucionalização do Mercosul. "Eu gostaria de ter avançando mais em direção a aumentar o grau de institucionalização do Mercosul. Estamos atrasados nisso e é aí onde temos que andar", arrematou o presidente uruguaio. 

Ilhas Malvinas 

Os países do Mercosul também decidiram acompanhar medida do governo argentino de Cristina Kirchner de não aceitar cargas e descargas nos portos da região de embarcações com bandeira das Ilhas Malvinas. 

Anteriormente, o ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Luis Almagro, explicou que a medida "aponta, fundamentalmente, para quando um barco não for admitido em algum país do Mercosul, tampouco seja permitido nos demais países do bloco". Almagro disse que a decisão foi negociada pelos chanceleres, ontem, e obteve o aval dos presidentes, nesta terça. A decisão é anunciada apenas uma semana depois que o Uruguai proibiu a entrada de barcos com bandeira das Ilhas ao porto de Montevidéu. 

A Grã-Bretanha chegou a chamar seu embaixador no país para consultas. Na semana passada, o presidente uruguaio, José "Pepe" Mujica, argumentou que a ordem de proibir que os barcos ingleses baixem suas âncoras nos portos uruguaios cumpria com um trato feito no ano passado, pela União Nações Sul-Americanos (Unasul). Naquela ocasião, os presidentes emitiram declaração de acompanhar a Argentina na decisão de impedir a presença dos barcos, em momentos que empresas inglesas iniciavam projetos de exploração de petróleo no arquipélago. 

A Argentina fez um pedido expresso aos países da região para que não permitam nenhuma operação dos navios com bandeira das Malvinas em seus portos. Para operar no arquipélago, as embarcações precisam obter uma licença das Ilhas Malvinas e levar sua bandeira. Os portos uruguaios são estratégicos para os navios provenientes das Malvinas, especialmente os pesqueiros. Cerca de 30 barcos pesqueiros das Malvinas operam em portos uruguaios, segundo o chanceler Almagro. 

A navegação de navios ingleses e com bandeira das Malvinas está proibida nas águas argentinas, como uma forma de pressionar a Grã-Bretanha a negociar a questão da soberania do arquipélago. Em 1982, a Argentina e a Grã-Bretanha travaram uma guerra pelo controle do arquipélago. Apesar da vitória militar britânica, a Argentina manteve firme sua reivindicação pela soberania do arquipélago localizado a 500 quilômetros de seu litoral. 

 

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