Merkel diz que europeu deve substituir Strauss-Kahn no FMI

'Claro que, atualmente, há negociações sobre isso, eu não citarei muitos nomes, mas nós discutiremos isso dentro da União Europeia', disse a chanceler alemã

Reuters,

19 de maio de 2011 | 07h26

A chanceler alemã, Angela Merkel, reiterou nesta quinta-feira que quer um europeu como o próximo chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) e que a renúncia de Dominique Strauss-Kahn antes do fim de seu mandato é um argumento a favor disso.

"Minha opinião é que nós deveríamos propor um candidato europeu. Claro que, atualmente, há negociações sobre isso, eu não citarei muitos nomes, mas nós discutiremos isso dentro da União Europeia. É de grande importância encontrarmos uma solução rápida."

A chanceler informou que sua sucessão será discutida no âmbito da União Europeia. "É de grande importância que encontremos uma solução rápida" para a sucessão do FMI, disse Merkel em entrevista concedida nesta quinta-feira, acrescentando que a renúncia de DSK é importante para que o FMI reconquiste sua capacidade de ação.

Embora os países emergentes tenham reclamado a posição de liderança do FMI e do Banco Mundial nos últimos tempos, os atuais problemas na zona do euro são um motivo para que um europeu seja apontado para o cargo de diretor-gerente do FMI, uma vez que o fundo está profundamente envolvido na solução de tais problemas, defendeu Merkel.

Ela argumentou ainda que o fato de a sucessão ter ocorrido antes do fim do mandato de Strauss-Kahn também deve ser motivo para que os países emergentes se mantenham abertos a uma candidatura europeia.

Parlamentares da coalizão do governo alemão pressionam para que um alemão encabece o FMI. "Pedi ao governo que dê apoio a um alemão para a liderança do FMI. O FMI tem um papel fundamental na crise da zona do euro", disse o porta-voz financeiro do partido Cristão Democrata de Merkel, Klaus-Peter Flosbach. Ele acrescentou que outras maneiras podem ser encontradas para fortalecer o papel das economias emergentes nas instituições internacionais, onde atualmente estão mal representadas.

O legislador Frank Schaeffler, do Partido Liberdade Democrática, parceiro menor no governo de coalizão, sugeriu o ex-presidente do Bundesbank, Axel Weber, para a posição, dizendo ser um falcão com a experiência internacional necessária.

Entretanto, Merkel não deve apoiar uma candidatura de Weber, que saiu da disputa pela presidência do Banco Central Europeu no começo do ano sem consultar previamente a chanceler, apesar de sua preferência por Weber no BCE.

Entre outros candidatos, a mídia alemã citou Thomas Mirow, chefe do Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento, e o ex-ministro das finanças da Alemanha, Peer Steinbrueck, um social democrata.

Queda esperada

A queda de Dominique Strauss-Kahn, que comunicou ao Fundo Monetário Internacional (FMI) sua renúncia ao posto de diretor-gerente em carta datada da quarta-feira, era esperada, afirmou a líder do partido de extrema-direita Frente Nacional, Marine Le Pen, nesta quinta-feira. Segundo ela, esse quadro era previsto pela reputação de "assediador" do político do Partido Socialista em círculos parisienses.

"Todos os círculos políticos e a mídia citam rumores sobre não apenas o comportamento, digamos, de sedutor crônico de Strauss-Khan, mas também de assediador", afirmou Marine Le Pen em entrevista à rádio RMC nesta quinta-feira. "Um certo número de seus opositores políticos sabia que seu comportamento quase patológico seria uma vantagem para eles na campanha presidencial.

Le Pen atacou ainda a União por um Movimento Popular (UMP), partido governista do presidente Nicolas Sarkozy, e o Partido Socialista, de oposição, por ignorarem as falhas de Strauss-Kahn. "Eles estavam prontos para levar esse homem à chefia do Estado francês, da mesma forma que Sarkozy esteve pronto para colocá-lo no comando do FMI, sabendo desta situação", afirmou ela.

Sarkozy e seu partido de centro-direita UMP têm demonstrado cautela, para não parecer como tomando vantagem da situação do rival político. Em 2007, Sarkozy apoiou fortemente a indicação de Strauss-Kahn para o comando do FMI. Na época, suspeitou-se que o presidente trabalhava para despachar um rival político para fora do país.

Strauss-Kahn foi detido no final de semana, acusado de tentar estuprar uma camareira nos Estados Unidos. Antes disso, Marine, que assumiu o comando da Frente Nacional de seu pai, Jean-Marie Le Pen, em janeiro, aparecia em segundo nas pesquisas de intenção de votos para as eleições presidenciais francesas do próximo ano. O primeiro colocado era o próprio Strauss-Kahn. Com isso, Sarkozy poderia ficar de fora do segundo turno, o que acabaria com suas pretensões de se reeleger em 2012.

(Com informações são da Dow Jones e de Gabriel Bueno e Cynthia Decloedt, da Agência Estado)

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