Mesbla/ Divulgação
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Filhos de ex-funcionários da Mesbla 'ressuscitam' varejista que faliu há 23 anos

Ricardo Viana e Marcel Jerônimo, que são irmãos, investiram R$ 500 mil nos direitos da marca, que já tem um novo e-commerce no ar; o pai deles, Alfeu, trabalhou por 60 anos na varejista fundada em 1912

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2022 | 12h37

Vinte e três anos após sua derrocada, a marca Mesbla foi resgatada por dois irmãos, filhos de ex-funcionários da varejista que já foi uma gigante no passado, com mais de 180 lojas espalhadas no País em seu auge. O empreendedor Marcel Jerônimo e o advogado Ricardo Viana desembolsaram R$ 500 mil, com recursos da família, pela licença de uso da marca. A Mesbla ganhou nova roupagem, bem distante das megalojas do passado: seu formato será apenas online, por meio de um marketplace, que é aquele em que lojistas se "plugam" à plataforma.

O pai de Marcel e Ricardo, Alfeu Viana, trabalhou na Mesbla por seis décadas – seu único emprego. Ele se aposentou quando foi decretada sua falência, em 1999, quase 90 anos após sua fundação, em 1912. “Foi um período muito conturbado, meu pai sentiu muito. O baque foi muito grande”, conta Viana, que antes do investimento na varejista atuava como advogado autônomo nas áreas civil e trabalhista.

“Se eu falar que nós somos como filhos da Mesbla, não seria algo distante da realidade”, conta o advogado e agora empresário do setor de varejo. Isso porque, detalha, seu pai conheceu sua mãe, Adeilza Viana, quando os dois trabalhavam na varejista – ela era uma das vendedoras. Seu irmão e sócio na empreitada, Marcel, teve também na varejista seu primeiro emprego, aos 14 anos. “A Mesbla é como se fosse um parente."

Não é a primeira vez que uma varejista que faliu tem uma segunda chance como marca online. O Mappin, que chegou a compartilhar o mesmo dono da Mesbla, mas também não sobreviveu, teve o mesmo destino. Tornou-se um site de comércio eletrônico após ser comprado pelos donos do grupo Marabraz, embora sem grande relevância no cenário nacional.

Interesse de décadas

De acordo com Viana, desde a falência da Mesbla, o interesse na marca sempre ficou latente, até a chegada da pandemia, quando ele percebeu, ao lado do irmão, que a marca poderia ter um novo espaço no mercado se operada digitalmente.  “Entendemos que hoje em dia há espaço para todo o mundo no mercado, que está em franca ascensão”, disse ele.  

O dado que ele traz embaixo do braço é de que, no ano passado, o e-commerce brasileiro cresceu 26,9%, comparado ao ano de 2020. O segmento teve faturamento próximo a R$ 160 milhões, de acordo com pesquisa da empresa Neotrust, responsável por monitorar 85% do e-commerce do país.

No ano passado, a dupla passou a montar o projeto, com a intenção séria de fazer o investimento. O conhecimento do mercado de varejo, conforme Viana, vem do irmão, que atua no setor de logística e conhece mais de perto varejistas e marketplaces. Fora isso, um ingrediente não menos importante, segundo ele, virá do pai, hoje com 75 anos, que vem ajudando na montagem do negócio.  

O site da empresa, agora um marketplace com ofertas de eletrônicos, de informática e brinquedos, já está no ar, com 250 mil produtos já disponíveis aos consumidores. A conversa com os lojistas tem sido positiva, diz o empreendedor, que evita revelar metas ou planos futuros.

'Saudosismo'

Com a aposta no “saudosismo” para levantar as vendas juntos aos clientes, o-ecommerce da Mesbla terá agora de brigar com gigantes como Magazine Luiza, Americanas e Mercado Livre, além de asiáticas como Aliexpress e Shopee. Um dos diferenciais competitivos dessas plataformas tem sido as taxas competitivas para os consumidores, além de investimentos pesados em logística.

Do lado da Mesbla.com, a estratégia será no atendimento humanizado. “Queremos esse tratamento mais direto, pessoa a pessoa”, diz Viana, em referência às vendas lojistas e comprados nas lojas físicas.

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