Mesmo com Black Friday, varejo reforça previsão de Natal fraco

Vendas da promoção que antecipa o Natal cresceram 51% no comércio online, mas caíram 4,6% nas lojas físicas

Márcia De Chiara, O Estado de S. Paulo

01 Dezembro 2014 | 21h52

As vendas das lojas físicas e do comércio online por ocasião da Black Friday recuaram entre 3,5% e 4% este ano em comparação com o desempenho do evento de 2013. Isso reafirma a expectativa de que este Natal será fraco, com a menor taxa de expansão de vendas desde 2003.

Os cálculos do economista Fábio Bentes, da Confederação Nacional do Comércio (CNC), para avaliar o desempenho total da Black Friday, levaram em conta duas pesquisas de vendas e o peso do varejo online no comércio total, que ainda é pequeno e gira em torno de 2%.

De acordo com a Serasa Experian, na semana da Black Friday as vendas nas lojas físicas recuaram 4,6% em relação a igual período do ano passado. 

Enquanto isso, na sexta-feira, dia da Black Friday, houve um crescimento de 51% na receita das lojas online, que atingiu R$ 1,16 bilhão, segundo a E-bit, empresa especializada em informações do comércio eletrônico.

Considerando o desempenho dos dois segmentos do varejo, Bentes diz que houve um deslocamento de vendas das lojas físicas para o varejo online nesse período. “Isso reforça a expectativa de um Natal fraco, com crescimento de 2,3%, a menor expansão em 11 anos”, afirma o economista.

Essa avaliação é compartilhada por Luiz Rabi, economista da Serasa Experian, que acompanhou as vendas de cerca de 6 mil lojas do varejo físico na semana da Black Friday. “Houve deslocamento do consumo das lojas tradicionais para o comércio online e a Black Friday deve antecipar o Natal, que será fraco, com crescimento de 2%.”

Os indicadores das vendas da cidade de São Paulo mostram que o varejo continuou fraco em novembro, apesar da Black Friday. No mês passado, as consultas para vendas a prazo foram 1% menores em relação ao mesmo mês de 2013, mas os negócios à vista aumentaram 3,3% nas mesmas bases de comparação. “Quem vendeu bem no fim de semana após o pagamento da primeira parcela do 13.º salário foram os hipermercados e as lojas de rua”, explica o economista da Associação Comercial de São Paulo, Emilio Alfieri.

Recorde online. Apesar de o desempenho de vendas por ocasião da Black Friday como um todo ter ficado aquém do ano passado, o varejo online não tem do que reclamar. “O faturamento da Black Friday atingiu as expectativas e representou a maior receita em um único dia do e-commerce”, afirma Pedro Guasti, diretor executivo da E-bit. Ele destaca que houve mais de 2 milhões de pedidos feitos por 1,2 milhão de consumidores, dos quais 18% realizaram pela primeira vez uma compra online. “Mais pessoas compraram produtos mais caros.” O valor médio da compra foi de R$ 522, com elevação de 32% ante 2013. O produto campeão de vendas foi o smartphone.

Queixas. O sucesso da Black Friday online foi acompanhado de reclamações dos consumidores. A Fundação Procon de São Paulo, por exemplo, recebeu 1.356 queixas, ante 302 registradas no ano passado. As principais reclamações foram as mesmas de 2013: sites intermitentes e mudança de preço na finalização da compra. Também houve um repeteco no ranking de empresas mais reclamadas. Na liderança está a B2W, (Americanas.com, Submarino, Shoptime e Sou Barato), seguida pela Saraiva.

“A B2W me preocupa. Eles investiram cerca de R$ 1 bilhão para melhorar a rede, mas tiveram problemas”, diz o diretor executivo do Procon-SP, Alexandre Modonezi. Ele destaca que tanto a B2W como a Saraiva não tiveram iniciativa para equacionar os problemas. Já o Magazine Luiza e o GPA tiveram comportamento diferenciado e resolveram 90% das pendências. Procuradas, a B2W e Saraiva não se manifestaram. A Saraiva informou em nota que não foi informada oficialmente sobre as “supostas irregularidades”. 

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