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Nilton Fukuda/AE
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Mesmo com expansão menor em 2012, Nestlé investirá R$ 500 mi em fábricas

Multinacional suíça, que tem o Brasil como segundo principal mercado no mundo, prevê crescimento próximo de 5% no ano que vem, contra 9% de 2011

Fernando Scheller, de O Estado de S. Paulo,

21 de dezembro de 2011 | 23h00

SÃO PAULO - Apesar das previsões mais modestas de crescimento para a operação brasileira em 2012, a gigante suíça Nestlé já aprovou investimentos de R$ 500 milhões para aumento da capacidade produtiva no País em 2012. Segundo o diretor-presidente da Nestlé, Ivan Zurita, a expectativa é de que o faturamento local cresça entre 5% e 5,5% no próximo ano, contra avanço de 9% estimado para 2011. "Não acho que o primeiro trimestre será eufórico. Teremos de ousar mais."

Mesmo com o crescimento menor, afirma Zurita, a expansão da capacidade no País é necessária porque a maior parte das 31 fábricas da Nestlé no Brasil trabalha perto do limite de produção - a ociosidade geralmente não passa de 15% ou 20%. "Trabalhamos perto do limite. Qualquer crescimento de 3% exige um aumento na capacidade", afirma o executivo.

Entre as filiais que devem receber investimentos estão a de Feira de Santana (BA), que fabrica diversas linhas de produtos, e a recém-inaugurada unidade de bebidas prontas da cidade fluminense de Três Rios. Os investimentos previstos devem motivar a abertura de 1.000 novas vagas, elevando o quadro da Nestlé no Brasil para 21 mil pessoas.

As previsões mais conservadoras da Nestlé para o mercado brasileiro acompanham os dados sobre o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para o próximo ano. Segundo o mais recente relatório Focus, que reúne as projeções do mercado financeiro para a economia, o País deve crescer 3,4% em 2012.

O objetivo da multinacional suíça para o Brasil, explica Zurita, é pelo menos duplicar o porcentual alcançado pela economia como um todo. Neste ano, no entanto, o objetivo será superado, já que o consenso é de que a expansão do PIB deverá ficar ao redor de 3% e a Nestlé deverá crescer perto de 9%.

‘Ousadia’. Ao admitir que 2012 não será um ano "eufórico", Zurita afirma que a ordem é manter a ousadia em termos comerciais e industriais que ajudou a multiplicar por cinco o faturamento do grupo nos últimos dez anos - entre 2001 e 2011, a receita da operação brasileira passou de R$ 4,6 bilhões para R$ 20,5 bilhões.

Do ponto de vista da produção, as constantes expansões de capacidade na fábrica de Feira de Santana mostram que a estratégia para o Nordeste foi acertada: apostar em uma unidade multiproduto, que produz de café a chocolate, em embalagens menores e mais baratas, adaptadas ao poder de consumo mais limitado da região.

Segundo Zurita, desde que foi inaugurada, em 2007, a fábrica já dobrou sua capacidade. Para o ano que vem, a unidade deverá receber investimentos que aumentarão sua produção em mais 50%. Isso dará força à disseminação de uma estratégia comercial que deu certo nas periferias de grandes cidades do País: a venda de produtos porta a porta, a crédito, com prazo de sete dias para pagamento. A venda direta, que já existe em São Paulo, Rio de Janeiro, Belém, Salvador e Recife, deverá se espalhar por outras capitais ao longo do próximo ano. "É algo que dá para fazer no País inteiro", afirma o executivo.

A relação da Nestlé com as classes C e D e com os bairros de menor poder aquisitivo vai ser trabalhada também por meio de projetos desenvolvido nas unidades pacificadoras instaladas em favelas do Rio, as UPPs. "Vamos criar oportunidades de trabalho para um ambiente pacífico. Vamos treinar vendedores ambulantes."

O foco na oferta específica para a classe C não prejudica, na opinião do executivo, a imagem da Nestlé na cabeça de quem sempre teve renda para consumir a marca. "As pessoas consomem o mesmo produto, mas atribuem a ele valores diferentes. Na periferia, é comum que duas latas de Leite Moça virem presente de aniversário", compara.

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