Michelin compra empresa brasileira de gerenciamento de frotas

Com Sascar, companhia que era controlada por um fundo da gestora GP Investiments, fabricante de pneus amplia oferta de serviços para os clientes

Marina Gazzoni, O Estado de S. Paulo

09 de junho de 2014 | 21h50

A fabricante de pneus Michelin anunciou nesta segunda-feira, 9, a aquisição da empresa brasileira de tecnologia Sascar por R$ 1,6 bilhão. Especializada em gerenciamento de frotas e rastreamento de cargas, a Sascar era controlada, desde 2011, por um fundo da gestora de recursos GP Investments.

A conclusão do negócio depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A Michelin pagará uma parcela de R$ 1,35 bilhão pelo negócio e assumirá dívidas de R$ 247 milhões. Os valores serão ajustados no fechamento da transação.

Com a aquisição, a Michelin deve aproveitar a tecnologia da Sascar para oferecer um novo serviço aos seus clientes. A Michelin é líder no segmento de pneus para ônibus e caminhões no Brasil, um mercado atendido por sua fábrica em Campo Grande (MS). A empresa mantém negócios em 170 países e informou que poderá usar a tecnologia de gestão de frotas e rastreamento de carga da Sascar em outros mercados além do Brasil.

“A Michelin irá se beneficiar da carteira de clientes e das competências técnicas da Sascar em um mercado em pleno crescimento. Desta forma, a empresa vai acelerar o desenvolvimento de serviços a seus clientes no mundo. Consolidamos, assim, um eixo importante de crescimento para o grupo”, declarou Jean-Dominique Senard, presidente do Grupo Michelin.

O copresidente da GP Investments, Antonio Bonchristiano, diz que a Sascar foi um “investimento de sucesso” para a gestora e que a venda para a Michelin “faz parte da razão de ser do fundo, que é comprar empresas para depois revender no futuro com lucro”.

A GP comprou 56% da Sascar em março de 2011 – 46% por meio do fundo GPCPV e outros 10% por meio de um fundo da BRZ Investimentos, o asset da GP. Só o fundo GPCPV vai receber US$ 260 milhões pela venda de sua fatia na Sascar, um retorno de 2,6 vezes o valor investido na empresa, em dólares. A operação envolveu 100% da Sascar, mas os nomes dos demais acionistas não são públicos.

Gestão. A Sascar existe há 15 anos no Brasil, tem sede em São Paulo e emprega 870 pessoas. A empresa se diz líder no serviço de rastreamento de frotas, com 230 mil veículos em sua base. A companhia faturou R$ 280 milhões em 2013 e registrou um crescimento médio de 16% nos últimos três anos.

Como várias companhias familiares adquiridas por fundos de investimento, a Sascar recebeu o chamado “choque de gestão” depois que a GP comprou o controle da operação. Em 2011, um dos sócios da gestora, Marcio Tabatchnik Trigueiro, assumiu o cargo de presidente da empresa e liderou o processo de reestruturação.

A empresa passou a adotar uma metodologia de gestão baseada em meritocracia e em metas. Além disso, o foco dos negócios mudou. Antes, a Sascar tinha as seguradoras como seus principais clientes para soluções de rastreamento. Hoje, os maiores clientes são os gestores de frota. “As seguradoras precisam da solução para rastrear o veículo em caso de furto. Já os donos de frota usam a ferramenta no dia a dia e se dispõem a pagar mais pelo serviço”, explica Bonchristiano.

O resultado das mudanças fez com que a receita da empresa crescesse 88% entre 2011 e 2013 e a geração de caixa (Ebitda) subisse 130%.

Para Bonchristiano, no entanto, a empresa ainda tem potencial de crescer mais aproveitando a marca e a carteira de clientes da Michelin. “A Michelin pode levar a Sascar a outro patamar, além do que ela poderia chegar sozinha. A empresa já tem soluções para o setor automotivo no mundo inteiro e tem condições de acelerar o crescimento da Sascar além do que nós vínhamos fazendo.”

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