Milho: exportação fraca ameaça preços no interior

São Paulo, 9 - A baixa atratividade das exportações de milho pode acabar freando a recuperação de preços do cereal no mercado interno. Nos últimos 30 dias, as cotações do milho no mercado internacional tiveram recuo expressivo. Para complicar, o real se valorizou frente ao dólar no mesmo período. Em Chicago, os contratos com entrega para dezembro fecharam ontem a US$ 89,27 por tonelada (US$ 5,35/saca), preço 4,63% menor do que o de 30 dias atrás. O dólar comercial, por outro lado, fechou ontem a R$ 2,9010, com baixa de 4,32% no espaço de um mês. "Com uma grande safra de milho no Hemisfério Norte, os preços em dólar já estão pouco remuneradores, e o câmbio valorizado não ajuda", avalia um analista. "É normal os preços pagos nos portos recuarem." E de fato, ocorreu esse recuo no atacado do porto de Paranaguá. Ontem, o comprador pagava R$ 17,50/saca no atacado do porto, com pagamento em 15 dias. Trata-se de preço R$ 1,00/saca inferior ao que vinha sendo praticado há uma semana. E o preço do porto é também quase idêntico ao praticado no interior do Paraná. No norte e oeste, os tomadores pagavam ontem entre R$ 17,00 e R$ 17,50/saca, enquanto a maioria dos vendedores pedia entre R$ 17,50/saca e R$ 18,00/saca para negociar lotes grandes. Normalmente, o preço do porto é nominalmente maior do que o do interior. A cotação similar implica que enviar cereal ao porto não é vantajoso nem mesmo para as regiões mais próximas, como Campos Gerais. A médio prazo, este cenário preocupa, diz o mesmo analista. "Se o milho ficar represado dentro do País, não há por que os preços continuarem subindo", diz. Para a fonte, a alta atual ocorreu por causa de uma retração de oferta momentânea, em particular no Paraná. "Mas há todo o milho do Centro-Oeste, que pode pressionar o mercado."

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