Mineradora de Eike Batista vai pedir recuperação judicial

MMX será a terceira empresa do antigo império X a pedir proteção para reorganizar seu passivo, seguindo os passos da petroleira OGX e do estaleiro OSX

O Estado de S. Paulo

15 de outubro de 2014 | 21h33

A MMX, mineradora de Eike Batista, decidiu que entrará com um pedido de recuperação judicial na Justiça de Minas Gerais, segundo fato relevante divulgado nesta quarta-feira. Segundo o Estado apurou, o pedido deverá ser feito nesta quinta. 

A mineradora será a terceira empresa do antigo império X a pedir proteção para reorganizar seu passivo, seguindo os passos da petroleira OGX e do estaleiro OSX. A companhia tentou costurar a venda de ativos para evitar a medida, mas a queda do preço do minério de ferro e os embargos ambientais tornaram a decisão inadiável.

O pedido será feito pela MMX Sudeste Mineração, subsidiária sob a qual fica a Unidade de Serra Azul (MG), onde estão as minas Tico-Tico e Ipê. Segundo o fato relevante, foi convocada uma assembleia geral extraordinária para ratificação da decisão.

"Não obstante os esforços da administração na negociação com credores e na busca por potenciais investidores, o pedido de recuperação judicial configurou-se como a alternativa mais adequada diante da situação econômico-financeira da companhia", diz a MMX no documento. A empresa diz também que a medida visa "preservar o valor da companhia, sua função social e o estímulo à atividade econômica, atendendo de forma organizada aos interesses de seus credores e acionistas e contingenciando de maneira responsável os recursos existentes em caixa".

A dívida sujeita à recuperação é de R$ 370 milhões, o que inclui serviços já executados por fornecedores. Em uma segunda etapa, as demais subsidiárias da holding MMX (MMX Corumbá e Porto do Sudeste) também poderão pedir a recuperação judicial.

A MMX Mineração Metálicos S.A., controlada por Eike e que engloba todos os ativos do grupo, fica de fora, assim como uma parte da dívida, ainda em discussão. Ao final do primeiro trimestre, a holding tinha dívida de R$ 966 milhões, dos quais R$ 718 milhões com fornecedores.

“A MMX é uma empresa saudável, que vive um contratempo por causa da situação do grupo X. Mas tem plena condição de se recuperar”, disse o advogado Sergio Bermudes, que também trabalha na recuperação da OGX.

A situação levou a MMX a demitir nos últimos dias 200 dos 420 trabalhadores do setor operacional do complexo de minas de Serra Azul, de acordo com o sindicato Metabase de Brumadinho (MG). Ao todo, são 550 funcionários na unidade, considerando o pessoal ligado à manutenção e setor administrativo. A MMX não comenta os cortes.

Cancelamento. No dia 21, o sindicato terá uma reunião na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Minas para tratar do caso. A entidade quer o cancelamento das demissões. Segundo o presidente do sindicato, Agostinho José de Sales, a MMX reduzirá de quatro para dois o número de turnos, todos de seis horas, nas minas da região. “Temos a informação de que a MMX não tem caixa para manter os funcionários e as demissões podem aumentar nos próximos dias”, disse. 

A unidade de produção de minério de ferro está com suas atividades suspensas desde setembro. Na segunda-feira, a MMX informou que manterá a paralisação por tempo indeterminado “a fim de otimizar recursos e adequar custos”. 

Os problemas operacionais da MMX começaram em fevereiro, quando a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad) embargou a mina Tico-Tico, uma das unidades do projeto Serra Azul. O órgão alega que a mineração no local tem danificado cavernas de relevância ambiental da área. 

A empresa esperava reverter o embargo e voltar a operar em Serra Azul no início do mês. No entanto, a Semad só dará o sinal verde à operação depois que estudos para adequação da área de proteção forem analisados. A MMX entregou a documentação na semana passada, mas a secretaria pediu mais informações. 

(Reportagem de Mônica Ciarelli, Mariana Durão, Mariana Sallowicz e Eulina Oliveira)

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