Ministro admite retomar jazidas para baratear adubo

O ministro da Agricultura, Pecuária eAbastecimento, Reinhold Stephanes, admitiu na segunda-feira ahipótese de a União retomar de companhias privadas jazidas quecontêm matérias-primas para produção de fertilizantes comoalternativa para acelerar a fabricação dos insumos no Brasil ereduzir os preços. "Até se for necessário sim, se for necessário", afirmou oministro a jornalistas em Cuiabá sobre a possibilidade de oEstado assumir o controle de áreas de exploração concedidas àiniciativa privada, levantada pelo governador de Mato GrossoBlairo Maggi, também grande produtor de soja, durante aassinatura de convênio do governo federal para reduzirdesigualdades regionais. "O governo já se mexeu e está fazendo um levantamento emtodo o Brasil de todas as jazidas que o país tem de fosfato ede potássio", revelou Maggi em discurso, referindo-se àconversa que teve com o ministro. "Para que o Brasil possa se utilizar de alguma lei eretirar das mãos delas (empresas privadas) e passar para asmãos de empresas nacionais ou de grupos que queiram implementarpara fazer com que os fertilizantes voltem aos preços que eramhá quatro meses atrás", afirmou. Segundo o ministro, a oferta dos insumos agrícolas é umaquestão estratégica para o Brasil, mas que somente deve serresolvida no médio e longo prazo. "Você não tem solução para a questão do adubo. Simplesmentenão tem solução. A não ser que se viesse a subsidiar", avaliouStephanes. Os valores dos fertilizantes subiram fortemente em todo omundo, devido ao aumento da demanda com a expansão das áreas decultivo, em meio a um cenário de incapacidade de elevação daoferta no curto prazo. O ministro disse que o Brasil terá condições de obtermatérias-primas para produção de fertilizantes, no caso "dosnitrogenados em dois anos, com a exploração das minas de gás naBacia de Santos". O Brasil importa 80 porcento do potássio consumido e 60 porcento do fósforo, informou Stephanes. A oferta de potássio, afirma, está dependente da exploraçãoem Sergipe e o potencial futuro em outra jazida no Amazonas, amaior do país, mas que não é explorada por "algumas discussõesambientais e de viabilidade técnica". "É uma jazida muito grande que poderia abastecer quase todoo gasto brasileiro", afirmou. O governador de Mato Grosso afirmou que o impacto do custodo frete e dos adubos poderá levar a uma redução na área decultivo no Estado na próxima safra. Maggi chegou a afirmar quepoderia haver um recuo de até 10 por cento na área plantada. Analistas independentes, no entanto, apesar de reconhecerema forte elevação dos custos, estimam que haverá crescimento doplantio. Eles afirmam, no entanto, que ele não virá no ritmoque seria desejável para suprir o aumento da demanda[ID:nN12309809]. Esse cenário, segundo ele, traz uma "conjuntura muitaalinhada para um futuro de problema econômico como em 2005 e2006". O governador, citando a situação de custos, pediu que oministro auxilie o Estado a retirar "restrições que foramcolocadas ao bioma amazônico", como a resolução do ConselhoMonetário Nacional que impede a partir do dia 1o de julho queproprietários rurais no Estado recebam créditos de bancos pornão estarem com licença ambiental em dia. Ele afirmou que Mato Grosso concorda com a "determinação dogoverno federal de ter redução do desmatamento", mas disse quea estrutura federal não tem condição de liberar a tempolicenciamento para os municípios.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.