Ministro argentino diz que Petrobras não sairá do país

A Petrobras estaria pretendendo vender alguns ativos na Argentina, mas sem planejar tirar o pé do país. Pelo contrário, a companhia estaria planejando investir na exploração de petróleo e gás não convencionais e negociando uma joint venture com a estatal YPF, segundo afirmou ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência EStado, o ministro argentino de Planejamento, Julio De Vido. "A Petrobras quer vender somente os ativos que já não são tão interessantes para seus negócios aqui, para poder investir em combustíveis não convencionais", disse o ministro. Procurada, a Petrobras informou que não comentaria o assunto.

MARINA GUIMARÃES, CORRESPONDENTE, Agencia Estado

16 de maio de 2014 | 19h33

Segundo o ministro, a YPF apresentou à Petrobras uma proposta de exploração conjunta de algumas áreas, como a Rio Neuquén, localizada na província de Rio Negro. Esta é uma das regiões mais promissoras em tight gás (gás extraído de areias compactas), entre as três que tiveram concessões renovadas no mês passado. As outras duas são 25 de mayo-Medanito e Jagüel de los Machos. Estas áreas estão localizadas na fronteira de Rio Negro, que abriga a maior parte da formação geológica de Vaca Muerta, considerada a segunda maior reserva potencial de gás e a terceira em petróleo não convencionais, especialmente de shale (xisto, extraído de rochas).

Vaca Muerta avança ainda sobre territórios das províncias de Mendoza e La Pampa. Estima-se que 10% de toda a área produtiva desta formação esteja em mãos da Petrobras em diferentes concessões que possui. "Nenhuma companhia petrolífera hoje quer ficar fora de Vaca Muerta e a Petrobras muito menos", afirmou uma fonte que acompanha de perto as negociações.

A fonte comentou que o CEO da YPF, Miguel Galuccio, está contente com as conversas que têm mantido com a Petrobras. "Galuccio disse que as conversas com a Petrobras vão muito bem e espera resultados concretos em breve", relatou a fonte.

A parceria entre as duas estatais foi sinalizada em fevereiro, quando a Petrobras vendeu à YPF a área de exploração de Puesto Hernández, cuja jazida já atingiu seu ápice. Porém, a necessidade da YPF de aumentar a produção de gás e petróleo é tão grande que qualquer área obtida soma no balanço final. A urgência argentina tem duas razões imediatas: justificar a estatização da companhia e reduzir as importações energéticas, que são as grandes vilãs da balança comercial do país e da perda de divisas.

A estatal brasileira, segundo outra fonte ouvida, assegura que também quer manter os campos de combustíveis convencionais que possui na bacia Austral, na região da Patagônia, onde a perspectiva de produção ainda é considerável, embora sejam maduros.

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